Cineclube MDS - A Natureza das Coisas Invisíveis (2025) com Rafaela Camelo
Legendas
Sobre o Evento
A Natureza das Coisas Invisíveis, primeiro longa-metragem de Rafaela Camelo, acompanha o encontro de Glória e Sofia, duas meninas de dez anos que se conhecem durante as férias de verão em um hospital. Enquanto Glória acompanha a rotina da mãe enfermeira, Sofia visita a bisavó internada com Alzheimer. Unidas pelo desejo de escapar daquele espaço marcado pela espera e pelo cuidado, as duas constroem uma amizade atravessada por imaginação, descobertas e pequenos gestos que transformam o cotidiano em experiência sensível.
Dividido entre o ambiente hospitalar e um refúgio no interior de Goiás, o filme observa, a partir do olhar infantil, temas como vida, morte, finitude e amadurecimento. A relação com a natureza amplia a percepção das meninas sobre o mundo e funciona como metáfora para seus próprios processos de transformação. Sem recorrer a explicações adultas, a narrativa acolhe a curiosidade, o afeto e a escuta como formas legítimas de compreender a complexidade da existência.
Eleito Melhor Filme Brasileiro pela crítica na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e vencedor do Premio Prisma Queer, o filme se destaca também por sua abordagem orgânica de temas contemporâneos, como identidade, espiritualidade e rituais, integrados de maneira delicada ao cotidiano das personagens. O reconhecimento do Prisma Queer reforça a importância da obra no campo do cinema brasileiro comprometido com narrativas diversas e com a ampliação dos modos de ver, sentir e representar o mundo.
A sessão propõe uma reflexão sobre a presença trans no cinema contemporâneo brasileiro. O filme amplia o debate sobre representatividade não a partir do discurso explícito, mas pela construção sensível de personagens, afetos e universos possíveis.
Após a exibição, o público é convidado para um bate-papo com a diretora Rafaela Camelo e com representantes do Prisma Queer, ampliando o diálogo sobre o processo de criação do filme, a importância de espaços de reconhecimento e circulação para obras compostas por pessoas trans e o papel do cinema como campo de escuta, memória e imaginação política.



