Rolezinho LGBTQIA+ Hudinilson Júnior e a Arte nas Ruas
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Sobre o Evento
Sobre o Evento:
Rolezinho LGBTQIA+ - Hudinilson Júnior e o pioneirismo LGBT+ na arte de rua paulista em São Paulo - Sympla
O rolezinho é uma caminhada pelos arredores do museu passando por lugares de memória da comunidade LGBTQIA+ e compartilhando suas histórias com os participantes. A edição de maio será uma homenagem ao artista Hudinilson Urbano Junior e seu rico legado para a cidade. Hudinilson, que completaria 69 anos em 2026, é geralmente lembrado pela ousadia com a qual conseguiu levar para espaços centrais do sistema formal de arte obras com explícito conteúdo homoerótico. Seus nus masculinos tantas vezes desprezados por serem considerados pornográficos atualmente compõem algumas das mais importantes coleções de arte contemporânea do Brasil (MASP, MAC/USP, Pinacoteca de SP) e do mundo (MALBA na Argentina, MoMA nos EUA, Reina Sofia na Espanha).
Menos lembradas, mas não menos relevantes, foram suas contribuições para a criação, a conceitualização, a difusão e o reconhecimento de expressões artísticas tipicamente urbanas até então vistas como menores - ou até mesmo como criminosas, como era o caso do Grafitti. Não se pode contar a história dessa forma de arte que virou marca assinada da cidade sem passar pela grande relação de amizade entre Hudinilson e Alex Vallauri, dois homens gays que se conheceram grafitando na rua Aurora, a poucas quadras do MDS. O protagonismo LGBT+ para a difusão do graffiti e seu reconhecimento como arte tanto no Brasil quanto no exterior merece ser celebrado. Keith Haring, maior nome do grati estadunidense, era abertamente gay e, como ativista do ACT UP, foi corajoso na criação de peças de conscientização sobre a epidemia de aids que são verdadeiras obras de arte. No contexto brasileiros artistas como Hudinilson, Jean Claude Bernadet, Darcy Penteado e Paulo Von Poser contribuíram com a formação e a comunicação de organizações pioneiras como a GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids).
Hudinilson atuou na vanguarda de expressões artísticas que despontavam no Brasil em nais dos anos 1970 como a performance, a arte postal, a colagem e a assemblagem. Seus experimentos com radicais com a fotocópia nos anos 1980 deram origem à xerografia como forma de arte reconhecida por críticos, por museus (como a Pinacoteca, onde ministrou ocinas de arte xerox) e pela própria fabricante Xerox, com a qual fez cursos técnicos avançados. A sua criação mais difundida é talvez a menos associada a ele - apesar de carregar seu sobrenome. Como integrante do grupo 3nós3 introduziu no vocabulário da imprensa o conceito de intervenção urbana, criado pelo grupo diante da necessidade de nomear as ações semi-clandestinas que faziam no espaço público desafiando a repressão da Ditadura Militar. O roteiro passa por locais que receberam intervenções do grupo, que poderemos vislumbrar comparando com os registros publicados na imprensa. Passaremos por locais que já receberam suas grafitagens e outros que inspiraram seus stencils.
A atividade será conduzida por Marcio Zamboni, antropólogo e artista que o conheceu em 2010 para uma entrevista, mas acabou se tornando seu amigo e aprendiz em técnicas de grafitti e xerografia. Assim de acessível era o divo, todo tipo de gente que aparecia na sua vida acabava voltando para absorver um pouco mais de sua maneira original de lembrar e fazer as coisas. Para os que conviveram com ele como amigos, a caminhada por locais que marcaram sua trajetória será também um percurso pelas memórias que temos dele. Compartilhá-las é uma forma de ecoar a existência do artista como parte de uma comunidade.





