24ª Semana Nacional de Museus | Memória em Retomada: Marçal de Souza
Libras
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas de 14 a 21 de maio ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).
No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.
Em um mundo marcado por divisões históricas, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) propõe uma reflexão profunda sobre as feridas abertas pela Ditadura Militar no Brasil e os caminhos contemporâneos para a reconciliação e a justiça. Alinhada ao tema da 24ª Semana Nacional de Museus (SNM), “Museus unindo um mundo dividido”, esta atividade toma como ponto de partida o marco histórico da anistia política post mortem de Marçal de Souza Tupã-Y, oficializada em março de 2026.
Marçal de Souza (1920-1983), líder Guarani Ñandeva e voz profética que denunciou a violência estatal ao Papa João Paulo II, foi vítima de uma perseguição sistemática que culminou em seu assassinato. O reconhecimento recente de sua condição de anistiado político não é apenas um ato de justiça individual, mas uma afirmação oficial da repressão sofrida pelos povos originários. A atividade conectará esse legado de resistência com as mobilizações atuais, destacando o Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, realizado em Brasília no mês de abril, sob o lema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.
Com as participações centrais de Paulino Montejo (APIB), Daniela Greeb (Instituto de Políticas Relacionais) e Julio Zelic (Armazém Memória), o encontro debaterá os desafios da Justiça de Transição. O foco será a necessidade imperativa de reconhecer o Estado como agente de repressão no passado para que ele possa, efetivamente, atuar como garantidor de direitos no presente e no futuro.
A programação será subsidiada pelos acervos do Centro de Referência Virtual Indígena (Armazém Memória), trazendo à luz documentos e provas documentais do monitoramento de lideranças indígenas pelo regime militar. Ao unir o rigor do registro documental à força da memória viva, o MCI reafirma seu modelo de gestão compartilhada, transformando o luto em luta e a história em uma ferramenta pulsante de cidadania e união nacional.
Sobre Paulino Montejo
Liderança indígena do Povo Maya-Popti’, originário da Guatemala e radicado no Brasil desde 1987, onde se consolidou como uma voz estratégica na defesa dos direitos originários dos povos indígenas deste país. Historiador, filósofo e jornalista de formação, em Universidades da Guatemala e México; especializou-se em Gestão e Etnodesenvolvimento, pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM); se diplomando, também, em outras universidades latino-americanas. Com uma trajetória que une saber acadêmico ao ativismo de base, mantém um histórico robusto de suporte ao Movimento Indígena Brasileiro, sendo um dos fundadores da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), onde, atualmente, coordena o Departamento Político, após já ter liderado outras instâncias da instituição, como a Assessoria Parlamentar. Anteriormente, atuou como Assessor de Comunicação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), onde foi o responsável pela criação do primeiro portal indígena do país, enquanto era, ao mesmo tempo, Coordenador Regional, no Brasil, da Agência Latino-Americana de Informação (ALAI). Dedicou-se esses anos todos às lutas que visam materializar os direitos fundamentais dos povos indígenas brasileiros, reconhecidos pela Constituição de 1988 e às lutas que buscam a visibilidade internacional das pautas indígenas, envolvendo a aplicabilidade dos instrumentos de direito internacional ou tratados assinados pelo Brasil, como a Convenção 169 da OIT.
Sobre Daniela Greeb
Diretora Geral do Instituto de Políticas Relacionais. Assistente Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e Sociopsicodramatista pela Role Playing. Especialista em gestão de projetos sociais e culturais. Coordenadora do projeto Justiça de Transição para Povos Indígenas no Brasil em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Observatório de Direitos e Políticas Indígenas da Universidade de Brasília (OBIND-UnB), Armazém Memória, com apoio da Embaixada da Noruega. Faz parte da Coordenação do Fórum: Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas.
Sobre Julio Zelic
Geógrafo pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e um dos coordenadores do Armazém Memória. Vem pesquisando graves violações de direitos humanos contra povos indígenas, em especial, as ferramentas cartográficas aplicadas no esbulho dos territórios durante a ditadura militar. É membro do Fórum: Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas, que visa propor caminhos para instauração de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade.
Sobre o Fórum: Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas
Coordenado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), pela 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), pelo Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e pelo Observatório de Direitos e Políticas Indígenas da Universidade de Brasília (OBIND-UnB), foi lançado em 2024, na sede da Procuradoria-Geral da República, com o objetivo de articular entidades dos povos indígenas, da sociedade civil, do poder público, da academia brasileira e de outras instituições nacionais e estrangeiras, para ampliar o debate público em favor de um processo de verdade, memória, reparação integral e justiça para os povos indígenas e formular uma proposta de instituição de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade. Atualmente, conta com mais de 60 organizações parceiras.
Sobre a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
Fundada durante o Acampamento Terra Livre (ATL) de 2005, consolidou-se como a principal instância de referência e representação nacional do movimento indígena, aglutinando organizações regionais de todo o país. Com o propósito fundamental de fortalecer a união entre as diferentes etnias, a APIB atua como um elo estratégico que unifica as pautas de reivindicações e a política do movimento em uma voz única e potente. Sua atuação é marcada pela resistência ativa, mobilizando povos e organizações contra ameaças e agressões aos direitos originários, garantindo que a defesa do território, da cultura e da autonomia indígena ocupe o centro do debate político e social brasileiro.
Sobre o Armazém Memória
Iniciativa de articulação coletiva que, desde 2001, atua na preservação e difusão da memória histórica brasileira por meio de um portal digital de acesso livre e gratuito. Unindo tecnologia de indexação a um vasto acervo de documentos, periódicos e registros audiovisuais, o projeto foca na história social, na luta popular e nos direitos humanos para fortalecer a justiça de transição e a cidadania no Brasil. Estruturado em rede, o Armazém integra esforços de arquivos públicos e privados para garantir o direito à memória e à verdade, servindo como uma ferramenta essencial de pesquisa e resistência cultural que conecta diferentes gerações na construção de um país mais justo.
Sobre a Semana Nacional de Museus (SNM)
Mobilização anual articulada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em celebração ao Dia Internacional dos Museus (18 de maio), que transforma instituições culturais de todo o Brasil em espaços pulsantes de conexão social e valorização do patrimônio. Em 2026, sua 24ª edição ocorre entre os dias 18 e 24 de maio sob o tema provocativo “Museus unindo um mundo dividido”, proposto pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) para incentivar abordagens críticas e inovadoras sobre os desafios da contemporaneidade. Com uma agenda que democratiza o acesso à cultura e fortalece a visibilidade institucional, o evento oferece uma vasta gama de atividades – como exposições temporárias, seminários com especialistas, oficinas interativas, visitas guiadas e programações infantis – consolidando o papel fundamental dos museus como centros de preservação, educação e diálogo democrático para toda a sociedade.
Data: 21/05/2026, quinta-feira
Local: Museu das Culturas Indígenas | 7º Andar
Horário: das 19h às 20h30
Vagas: 40 (quarenta)
Entrada: gratuita, mediante inscrição
Classificação: 16 anos
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- 40 (quarenta) vagas;
- as inscrições serão realizadas de 14 a 21 de maio ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas.



