Águas, Ancestralidade e Futuro
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas até 2 de junho.
O encontro será realizado na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo – IB-USP | Rua do Matão, Travessa 14 – Butantã).
Antigamente, o povo Iny Mahãdu morava no fundo das águas, um lugar sagrado e calmo. Certo dia, um guerreiro que buscava alimentos para sua mulher, sem querer, acabou achando a saída para o mundo de fora. Ele encontrou uma terra linda, com rios limpos e a floresta em pé. Fascinado, voltou carregando caju, mangaba, pequi e jatobá para mostrar à comunidade. Metade do povo resolveu subir com ele para viver às margens do rio Berohoky (nome que na língua Iny Rybè significa “caminho” ou o “grande rio”, conhecido por muitos como Araguaia). A outra metade preferiu ficar lá embaixo com Koboi, que espiou o lado de fora, viu árvores caídas e lugares secos, e avisou que não era bom sair.
Essa história ancestral, feita de memórias, chega pela voz de Yriwana Teluira Karajá. Nascido na Aldeia Hãwalò, no coração da Ilha do Bananal, ele hoje vive no contexto urbano de São Paulo e compartilha a força de seu povo como Mestre dos Saberes no Museu das Culturas Indígenas.
O Berohoky, que molda a cultura e a identidade Iny, hoje sofre com a pressão de grandes produtores rurais, irrigações que causam secas severas e o uso de agroquímicos que contaminam a terra, a água e as pessoas. Desde 1972, quando foi instituído o Dia Mundial do Meio Ambiente para despertar o mundo sobre a proteção dos ecossistemas, as discussões políticas e acadêmicas tentam encontrar saídas. Mas olhar para a natureza apenas através de dados técnicos deixa um vazio profundo. O que resta das nossas águas quando a urgência científica e a ancestralidade são ignoradas?
Para unir essas pontas, a Comissão Ambiental da Biologia (CAMBio) e o Museu das Culturas Indígenas criaram um espaço de encontro na Semana do Meio Ambiente 2026. Longe de ser apenas um discurso descolado da realidade, a atividade quer romper com o apagamento histórico das perspectivas indígenas, somando a solidez da pesquisa científica à vivência de quem está na linha de frente defendendo a vida dos nossos rios.
Água não é recurso infinito; é território, sobrevivência e futuro. Você vai apenas assistir ou vai debater o amanhã com a gente? Afinal, o futuro da água afeta a cada um de nós.
Sobre Yriwana Teluira Karajá
Indígena da etnia Iny Mahãdu (povo do rio), nascido na Aldeia Hãwalò, na Ilha do Bananal (maior ilha fluvial do planeta), banhada pelo rio Berohoky (nome dado ao Rio Araguaia na língua Iny Rybè, falada pelo povo Iny, significando “caminho” ou o “grande rio”), na divisa do Tocantins com o estado de Mato Grosso. Tem profunda conexão com os grafismos, brincadeiras e cantos de seu povo. Atualmente, vivendo em contexto urbano no município de São Paulo, faz parte da equipe do Núcleo Educativo do Museu das Culturas Indígenas como Mestre dos Saberes.
Sobre a Semana do Meio Ambiente 2026
O que resta das nossas águas quando a urgência científica e a ancestralidade são ignoradas?
Entre os dias 8 e 12 de junho de 2026, o Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) será o palco da Semana do Meio Ambiente 2026. Organizado pela Comissão Ambiental da Biologia (CAMBio), o evento deste ano traz uma provocação vital: “Corpos Hídricos Brasileiros: qual futuro nos aguarda?”
Diante de um cenário de ameaça severa aos recursos hídricos do país, o encontro vai muito além do discurso acadêmico tradicional. A programação foi desenhada para chacoalhar a passividade e debater, de forma franca, a qualidade da água que abastece nossas cidades, as estratégias de proteção ambiental e o papel político e técnico do biólogo diante da crise.
Compromisso, missão e propósito:
- Romper o apagamento: mais do que analisar dados, esta edição assume o compromisso de trazer para o centro do debate as perspectivas dos povos indígenas, historicamente invisibilizadas, mas fundamentais para a conservação real dos ecossistemas aquáticos.
- Ciência de ponta e engajamento: unir a solidez da pesquisa científica à atuação de quem está na linha de frente da conservação.
- Impacto coletivo: o evento é gratuito e totalmente aberto ao público geral.
Sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho
Instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) durante a Conferência de Estocolmo, em 1972. A criação da data teve como propósito central catalisar a conscientização global e a ação política em prol da preservação dos ecossistemas, marcando o primeiro grande encontro internacional focado na interação humana com a biosfera. Entre as principais resoluções que fundamentam a data, destacam-se a promoção do desenvolvimento sustentável, a necessidade de formular políticas públicas que protejam a biodiversidade e o incentivo à mudança de hábitos individuais e corporativos. O evento busca, primordialmente, capacitar as comunidades a se tornarem agentes ativos de proteção ambiental, garantindo que o crescimento econômico não ocorra às custas do esgotamento dos recursos naturais.
Data: 11/06/2026, quinta-feira
Local: Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo - IB-USP | Rua do Matão, Travessa 14 - Butantã)
Horário: das 13h às 14hh
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- esta atividade é uma parceria entre a Comissão Ambiental da Biologia (CAMBio) e o Museu das Culturas Indígenas;
- o encontro será realizado na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo – IB-USP | Rua do Matão, Travessa 14 – Butantã);
- as inscrições serão realizadas até 2 de junho;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade.



