Contação de Histórias MCI | Kariri-Xocó lábios de boi: memórias de um indígena Fulkaxó
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas de 13 a 20 de junho ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).
No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.
Como se ensina uma criança a caminhar quilômetros sob o sol sem deixar que o cansaço a vença? O pai de Awassury Fulkaxó inventou, ali mesmo na estrada de barro, o “cavalo que não comia capim”. Uma brincadeira feita de imaginação, um gesto de afeto profundo que mostra como os povos indígenas educam na escassez e transformam a caminhada dura em resistência.
No próximo encontro do Programa de Contação de Histórias do MCI, pais, mães, educadores e crianças são convidados a sentar em roda para o lançamento do livro “Kariri-Xocó lábios de boi: memórias de um indígena Fulkaxó”. Escrita por Awassury em parceria com Silvia Nogueira, a obra é um relato direto, sem intermediários ou interpretações de fora. É a história vista por quem a viveu.
O livro nos leva para as margens do Rio Opará (nome original dado pelos povos indígenas ao Rio São Francisco, um dos maiores e mais importantes cursos d’água do Brasil, que, na língua Tupi, significa “rio-mar”), que corre como uma mãe provedora, mas que hoje sofre com barragens e devastação. Fala da infância coletiva, do escambo de cerâmicas e da adolescência de Awassury, quando ele precisou deixar a escola da aldeia para estudar na cidade. Aos 14 anos, ouviu do avô um conselho firme: respeitar a todos, mas se proteger do olhar hostil dos “brancos”. Uma travessia que tantas famílias indígenas e periféricas conhecem bem: a de circular por dois mundos sem deixar morrer quem se é.
Ilustrada pelas artes de Júlia Maynã, a obra desafia o que costumamos chamar de “ciência” e “conhecimento”, mostrando que a maior riqueza está na oralidade e na transmissão de saberes que passam de geração em geração.
Após uma breve conversa sobre o livro, vamos celebrar a vida e o território com uma roda de toré. Venha partilhar desse momento de escuta ativa e trazer seus filhos para vivenciar uma cultura viva, que cuida do mundo e nos ensina a respeitar as diferenças desde o começo da vida.
“Kariri-Xocó lábios de boi: memórias de um indígena Fulkaxó” é um projeto realizado pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), e pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas (SCEIC), através do Fomento Estadual de São Paulo (FOMENTO CULTSP) e do Programa de Ação Cultural (PROAC), selecionado no Edital 28/2024 – Realização e Publicação de Obra Literária Inédita.
Sobre Awassury Fulkaxó
Nascido na Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio (AL), às margens do Rio Opará (nome original dado pelos povos indígenas ao Rio São Francisco, um dos maiores e mais importantes cursos d’água do Brasil, que, na língua Tupi, significa “rio-mar”), e pertencente também a etnia Fulni-ô, de Águas Belas (PE), integra a comunidade Fulkaxó, que é resultante da mistura entre as duas etnias. Acompanha o pai, Tchydjo, em trabalhos com a cultura e a espiritualidade em outros Estados desde os seus 16 anos. Hoje, mais de 30 anos depois, mantém o compromisso de levar sua tradição ao redor do Brasil. É artesão de referência e atua há 20 anos como educador promovendo interações culturais em escolas. Trabalhou 13 anos no “Sítio do Sol”, em Cabreúva (SP), como condutor de vivências educacionais indígenas. Possui projetos de oficinas de confecção de brinquedos tradicionais e realiza pajelanças, trazendo a vivência direta dos rituais, da luta por território e da preservação cultural de seu povo. Seu livro, “Kariri-Xocó lábios de boi: memórias de um indígena Fulkaxó”, reúne suas memórias com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os povos originários a partir de sua perspectiva, que abarca a voz de seu povo, rompendo com séculos de silenciamento histórico.
Sobre Silvia Nogueira
Escritora, tradutora e psicóloga, colabora nos Núcleos de Cuidado Psicológico e de Língua e Cultura, da Rede de Atenção à Pessoa Indígena, do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (Rede Indígena-DPE-IP-USP). Mestre em Psicologia Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); com especialização em Curso de Aperfeiçoamento em Violência Doméstica, do Instituto Sedes Sapientiae; e graduação em Psicologia, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Participou do projeto a partir de encontros e escutas com Awassury, transformando áudios e relatos em texto, em um processo colaborativo que respeita a oralidade e a autoria do narrador. Sua escrita atua como a “trama para o urdume”, costurando as narrativas sem apagar a voz original. Publicou o livro híbrido “ruminânSias” (patuá, 2018), contemplado pela bolsa de fomento à literatura da Fundação Biblioteca Nacional, o libreto artesanal “Lowó-Lowó” (independente, 2016) e o livro de contos “Imagens da Rua” (2006). Participou das antologias “Tara, tarô e outros vícios” (Palavraria, Risco, 2016) e “Livro-Livre” (com organização de Damazio e Mendonça, Risco, 2014).
Sobre Júlia Maynã
Como ilustradora, participou ativamente da construção visual da obra. Suas imagens dialogam com os relatos, trazendo elementos simbólicos, cotidianos e espirituais que ampliam a experiência de leitura e aproximam o leitor do universo narrado. Do povo Xukuru-Kariri, nasceu em contexto urbano pós-migratório, em São Paulo, no bairro Cachoeirinha. Sua aldeia de origem se localiza em Palmeira dos Índios (AL). É educadora, multiartista, produtora cultural e historiadora, licenciada pela Universidade de Pernambuco (UPE). Sua vivência entre a aldeia e a cidade a despertou a trabalhar com temas como migração indígena, memória ancestral, corpo-território, apagamento étnico e resistência cultural. É técnica em dança pela Escola Técnica de Artes do Centro Paula Souza (ETEC de Artes-CPS). Fez parte da equipe do Núcleo Educativo do Museu das Culturas Indígenas, auxiliando no desenvolvimento de materiais pedagógicos como a coleção de “Cadernos Educativos Bem-Viver” (2024). É idealizadora do projeto “Memórias Feitas de Caroá: mulheres frutos das migrações indígenas nordestinas para São Paulo” (PROAC 21/2024) e cantora no Grupo Vocal Vozes Ancestrais. Escreve, produz e apoia projetos com foco em fortalecer a autonomia dos povos e territórios tradicionais. Além de sua atuação como agente cultural, Maynã também é artesã e trabalha com ervas, produzindo sabonetes, óleos, banhos de assento e pomadas naturais, mantendo viva a sabedoria ancestral do seu povo.
Sobre o Programa de Contação de Histórias MCI
Lançado em 2024, é um encontro mensal voltado a crianças e famílias, dedicado aos saberes e cosmologias dos povos originários. Mais do que ouvir narrativas, o programa propõe uma imersão em diferentes modos de viver, estar e cuidar do mundo. É um espaço de escuta ativa que celebra a pluralidade de vozes indígenas, promovendo o diálogo intercultural e o respeito à diferença desde a infância.
Ao longo dessa trajetória, o programa recebeu narradores que compartilharam a força de suas ancestralidades e suas vozes ecoaram:
2024: Lilly Baniwa (Baniwa); Luã Apyká (Tupi-Guarani); Naktamanãã Kuparaka (Pataxó); Dario Machado, Gerolino Cézar e Ranulfo Camilo (Terena); Kuenan Tikuna (Tikuna/Magüta); Djagwa Ka’agwy Kara’i Tukumbó (Guarani Mbya); Cristino Wapichana (Wapichana); Énh xym Akroá Gamella (Akroá Gamella); Coletivo Kanewí, com Júlia Maynã (Xukuru-Kariri) e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó); Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Natalício Karaí de Souza (Guarani Mbya); Tserenhõ’õ Tseredzawê (Xavante); e Xipu Puri (Puri) e Abi Poty (Potyguara).
2025: Wera Xuru (Guarani Mbya); Elzeni Kaimbé (Kaimbé); Siriani Huni Kuin (Huni Kuin/Kaxinawá); Ediele Pankararu (Pankararu) e Ynaiê Máximo (Wassu-Cocal); Cristine Takuá (Maxakali), Maria Ara Poty (Guarani Mbya), Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Tamikuã Txihi (Pataxó); Lucia Benite (Guarani Mbya); Mulheres das Aldeias Piulewene e Ulupuwene (Waurá); Dani Mara (Borun e Pataxó); Tsinaki Ashaninka (Ashaninka); Maria Lídia e José Pankararu (Pankararu); Olivio Jekupé (Guarani Mbya); e Yndyan Fulkaxó (Fulkaxó), Laís Santos, Michele Saints, Simone Pankararu e Upya Pankararu (Pankararu), Txayane Fulni-ô (Fulni-ô) e Júlia Maynã (Xukuru-Kariri).
2026: Jhennifer Willys (afro-indígena, Tikuna e Kokama); Kawakani Mehinako (Mehinako); Maiara Astarte (Guajajara); Pedro Pankararé (Pankararé); e Reinaldo Karai Tukumbo (Avá-Guarani).
Data: 20/06/2026, sábado
Local: Museu das Culturas Indígenas | 7º Andar
Horário: das 11h às 12h
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- 30 (trinta) vagas;
- as inscrições serão realizadas de 13 a 20 de junho ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas.



