Aniversário do MCI | Tecendo a Vida e a Arte: o resplandecer cultural dos Guarani Mbya
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas de 20 a 27 de junho ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).
No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.
Para o povo Guarani Mbya, a arte não é algo que se pendura na parede ou se guarda em vitrines; é a própria matéria que sustenta o espírito e mantém o mundo em equilíbrio. O que os não-indígenas chamam de artesanato ou música é, para eles, um fio da teia que conecta a terra ao sagrado.
Neste encontro, o MCI convida o público a escutar as palavras de artistas das aldeias Tekoa Pyau (Terra Indígena Jaraguá – São Paulo/SP) e Guyra Pepo (Tapiraí/SP) e a deixar de lado as definições acadêmicas para abrir espaço à presença real. Não se trata de uma palestra, mas de um sopro de sabedoria ancestral que desafia a nossa pressa cotidiana.
O museu ganha vida com o ritmo dos cânticos, a força das danças e a exposição de artefatos que carregam histórias em cada entalhe e trama. É uma oportunidade de encarar a herança indígena não como um retrato do passado, mas como uma força viva que pulsa hoje, resistindo e criando novas formas de existir.
No centro desse movimento, as mulheres Guarani Mbya comandam uma oficina de artesanato em miçangas. Mais do que alinhavar cores e formas, sentar-se com elas em torno das miçangas é participar de um momento íntimo de partilha e transmissão de saberes tradicionais, onde a conversa e as mãos que tecem mantêm viva a memória de um povo.
Venha partilhar desse tempo. Venha ouvir o que as vozes Mbya têm a dizer sobre o agora.
Esse projeto foi contemplado pelo Edital de Chamamento nº 7/2025, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa – Coordenação de Fomento e Formação Cultural – Supervisão de Produção e Logística Cultural (SMC/CFOC/SPLU), da 22ª Edição do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI – Modalidade 1, para a cidade de São Paulo.
Sobre Rosangela Soares Gabriel
As mãos de Rosangela não apenas criam; elas recordam. Entre tramas e saberes, ela traz para o asfalto de São Paulo a força do artesanato e da alma Guarani Mbya, provando que a tradição é uma chama acesa, e não um objeto estático no tempo. Idealizadora do projeto que dá vida a este encontro, Rosangela atua na linha de frente como Agente Cultural no Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI) Jaraguá e integra o Coletivo Mbo’Y Mboi Pytã. Mais do que exibir arte, ela convida você a encarar a herança indígena como uma presença viva, que resiste e se reinventa a cada ponto tecido. Conhecer seu trabalho é entender o fôlego de um povo que nunca parou de desenhar o próprio amanhã.
Sobre Daniela Karai Vidal de Lima
Diretamente da Aldeia Guyra Pepo, em Tapiraí (município paulista situado na Serra do Mar, famoso por ter mais de 80% de seu território coberto por Mata Atlântica), Daniela traz o entendimento de que a tradição Guarani Mbya é um corpo vivo que se renova. Suas mãos dão forma a peças que equilibram o design atual com os símbolos que atravessam gerações, transformando o artesanato em uma conversa entre o ontem e o amanhã. Referência no movimento cultural, Daniela não guarda o saber para si: ela abre as portas da criação, compartilhando o toque e a técnica das artes manuais de seu povo. Conhecê-la é descobrir que a beleza de um objeto está, acima de tudo, no peso da ancestralidade que ele carrega.
Sobre Lurdes Nhendua Faustino
Para Lurdes, cada conta de miçanga é um ponto de resistência e uma palavra em silêncio. Liderança na Terra Indígena Jaraguá e artesã premiada, ela transforma colares e anéis em veículos de uma sabedoria que não aceita ser esquecida. Sua atuação vai muito além do fazer manual: Lurdes é uma ponte entre mundos, levando a língua e a cosmologia Mbya Guarani para espaços que variam de oficinas infantis ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP). Como Agente Cultural no Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI) Jaraguá, ela não apenas ensina técnicas; ela compartilha a força de um povo que mantém sua identidade viva no coração de São Paulo. Conhecer seu trabalho é entender que a beleza indígena é, antes de tudo, um ato político e espiritual.
Sobre Marília Gomes Ghizzi Godoy
Marília não se contenta em observar a cultura apenas pela lente dos livros; ela prefere o diálogo direto no chão das aldeias. Possui graduação em Ciências Sociais e mestrado em Ciência Social – Antropologia Social, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP); e doutorado em Psicologia Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), transitando entre o rigor acadêmico e a realidade pulsante dos territórios Guarani Mbya, onde coordena projetos de fomento cultural há quase duas décadas. Seu trabalho é um exercício constante de construir pontes, transformando títulos e pesquisas em ações que fortalecem identidades e combatem silenciamentos. Docente e pesquisadora incansável, Marília traz para este encontro a bagagem de quem entende que a teoria só ganha fôlego quando se coloca a serviço da vida e da resistência dos povos originários.
Sobre o Povo Guarani Mbya
Para os Guarani Mbya, as fronteiras do mapa não definem quem eles são. Espalhados por grandes distâncias, mas unidos por um fio invisível, eles se reconhecem como Ñandeva ekuéry: “todos os que somos nós”. É uma identidade que não se apaga, mantida viva pelo som de uma língua própria e pelo rigor de uma espiritualidade que resiste há séculos. Mais do que apenas habitar o litoral atlântico, os Mbya caminham. Suas jornadas não são fugas, mas buscas ativas pela “Terra Sem Mal” (um lugar de perfeição e equilíbrio). Nessa caminhada, cada novo território é uma oportunidade de recriar tradições, transformando a sobrevivência em uma forma de arte. A diferença entre os Mbya e outros grupos não está apenas no que dizem, mas no que fazem: no ritmo único de seus cantos, no grafismo de seus adornos e na forma como cada gesto cotidiano é um ritual de reciprocidade. Conhecer os Mbya é entender que, para eles, a vida e o espírito caminham sempre juntos, tecendo uma história que o tempo não conseguiu desmanchar.
MCI: 4 ANOS
Quatro anos semeando protagonismo: o aniversário do MCI é um convite para mergulhar no universo dos povos indígenas.
Através de uma série de encontros, oficinas e vivências, celebramos a força das culturas que resistem e florescem em nossos territórios. Sob o pilar da gestão compartilhada entre o Conselho Aty Mirim e o Instituto Maracá, as atividades celebram o fortalecimento do museu como um espaço de diálogo e salvaguarda de saberes tradicionais, de maneira a conectar o conhecimento das aldeias ao coração da metrópole, transformando o MCI em um território de encontro para todas as gerações. O evento reúne lideranças, artistas e guardiões, promovendo o intercâmbio entre as comunidades originárias e o público para refletir sobre a presença viva e a autonomia da multiplicidade de modos de vida, línguas e tradições.
Sobre o Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Nasceu com o propósito de articular, pesquisar e comunicar as histórias de resistência e a produção intelectual, artística e tecnológica dos povos originários. Mais do que um espaço de guarda, o MCI consolida-se como uma instituição museológica dialógica e participativa, onde a memória da ancestralidade permite o compartilhamento de saberes, filosofias e artes. Inaugurado em 2022, o museu é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim. Este modelo garante o protagonismo direto de representantes dos povos Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal, transformando o museu em um espaço pulsante de troca e salvaguarda.
Sobre o Conselho Indígena Aty Mirim
Instância responsável pela construção de mecanismos de escuta, consulta e formulação de uma agenda propositiva, comprometida com os direitos originários e com a consolidação da co-gestão indígena do MCI. Sua atuação abrange projetos cosmopolíticos nas áreas de educação, memória, patrimônio e artes, sempre em consonância com as lutas e a diversidade dos povos indígenas. O grupo é composto por representantes de diversas etnias – Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal – que trazem o contexto de diferentes territórios do Estado de São Paulo:
- Grande São Paulo: Comunidade Pankararu do Real Parque, Terra Indígena Jaraguá (Tekoas Pyau, Itakupe, Itawerá, Ytu e Yvy Porã) e Terra Indígena Tenondé Porã, na capital; e Reserva Indígena – Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra (Guarulhos);
- Litoral Norte: Aldeia Rio Bonito e Terra Indígena Renascer (Ubatuba); e Tekoa Rio Silveira (Bertioga/São Sebastião);
- Litoral Sul: Aldeia Nhamandu Oua (Itanhaém); Aldeia Nhanderu Pó – Terra Indígena Aguapeú (Mongaguá); e Aldeia Tapirema – Terra Indígena Piaçaguera e Terra Indígena Bananal (Peruíbe);
- Oeste e Sudoeste Paulista: Terra Indígena Araribá (Aldeias Ekeruá, Kopenoti, Nimuendaju e Tereguá); Terra Indígena Icatu (Braúna); e Terra Indígena Vanuíre (Arco-Íris); e
- Vale do Ribeira: Aldeia Itapu Mirim (Registro); Aldeia Itapuã (Iguape); e Tekoa Takuari (Eldorado).
Sobre o Instituto Maracá
Fundado em 2017, é uma organização da sociedade civil que atua como ponte entre os saberes originários e a sociedade não-indígena. Sua inspiração vem dos maracás – instrumentos sagrados de cabaça e sementes que conectam os povos ameríndios ao mundo espiritual. Com esse mesmo propósito de transmissão, o Instituto busca as melhores linguagens para ecoar as mensagens e conhecimentos tradicionais, dedicando-se à proteção e difusão do patrimônio histórico, ambiental e cultural dos povos originários.
Data: 27/06/2026, sábado
Local: Museu das Culturas Indígenas | 7º Andar
Horário: das 10h às 13h
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- 20 (vinte) vagas;
- as inscrições serão realizadas de 20 a 27 de junho ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas.



