Contação de Histórias MCI | Onde Há Perfume, Não Há Doença, com Mew Yawanawa
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas de 18 a 25 de julho ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).
No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.
O Museu das Culturas Indígenas (MCI) transforma-se em um território de escuta e regeneração em uma edição especial e expandida do seu Programa de Contação de Histórias. Em uma vivência rara que cruza o cinema independente, a tradição oral e a ecologia, o MCI traz a estreia do minidocumentário “Onde Há Perfume, Não Há Doença (Iní Anu, Pae Shuvitiruma)”, seguida por uma roda de saberes e uma imersão musical conduzida por Mew Yawanawa.
Liderança, professor e guardião do conhecimento tradicional das plantas medicinais na tradição Yawanawa da Aldeia Matrinxã (AC), Mew protagoniza a obra dirigida por Giulia Lapetina (ŪKALLI Cultura). Na tela, acompanhamos o registro poético de sua jornada ao encontro da Mata Atlântica. Ali, Mew reconhece e mapeia o saber das plantas tradicionais que herdou de seus mais velhos na Amazônia. Essa troca cultural com o povo Guarani Mbya, na Terra Indígena Rio Silveira (Ubatuba – SP), celebra o cultivo do bem-viver e a urgência de espalhar sementes de um conhecimento precioso. Fora da tela, fortalecer essas tradições é o que mantém viva a harmonia e a possibilidade de uma humanidade verdadeiramente conectada.
A experiência é desenhada para tocar o público em três tempos que se conectam naturalmente:
- A imagem: o mergulho visual pelo olhar sensível de um documentário que registra o encontro inédito entre duas ricas matrizes indígenas. Na tela, testemunhamos o respeito profundo no pedir licença à floresta, o feitio paciente do banho de plantas que passa horas ao fogo, o aroma que preenche o Vekuro (tenda) e o cuidado coletivo que se manifesta no toque, na intenção e na presença de cada gesto ancestral.
- A palavra: um círculo aberto com Mew Yawanawa para escutar histórias antigas e compreender a conexão vital entre o reino vegetal, os animais e os mistérios da floresta. É um convite para compreender a ecologia profunda através de uma cosmovisão onde as plantas carregam memórias, filosofias de equilíbrio e a própria essência do bem-viver.
- O som: o ápice do encontro. Uma imersão sensorial pautada na vibração da cantoria tradicional. Os Saitis (cantos tradicionais Yawanawá) são rezos milenares ecoados em momentos de celebração, que materializam os saberes compartilhados e restabelecem a harmonia coletiva por meio do som.
Onde Há Perfume, Não Há Doença (Iní Anu, Pae Shuvitiruma)
Sinopse: o minidocumentário acompanha Mew Yawanawa, professor e guardião dos conhecimentos tradicionais, em uma jornada de profunda conexão entre a Amazônia e a sua “floresta irmã”, a Mata Atlântica. Entre caminhadas para o reconhecimento da flora local e a partilha de banhos tradicionais de vitalidade, ele expande a sabedoria transmitida por gerações para além de sua aldeia, alcançando também os Nawa (não-indígenas). A obra destaca a importância vital de salvaguardar esse patrimônio vivo, registrando o encontro histórico com o povo Guarani Mbya e a fundação da Escola Nii Vimi de Saberes Ancestrais da Mata Atlântica.
Brasil, 2026, 25’
Direção e Produção: Giulia Lapetina (ŪKALLI Cultura)
Roteiro: Mew Yawanawa, Giulia Lapetina e Jöy Soares
Montagem: Victor Bravo
Som: Tiago Guimarães
Idealização: Giulia Lapetina e Jöy Soares
Arte Gráfica: Adriane Kariú
Distribuição: ŪKALLI Cultura
Gênero: documentário
Classificação: Livre
Sobre Mew Yawanawa
Professor e liderança na Aldeia Matrînchã (localizada na Terra Indígena do Rio Gregório, no estado do Acre) e, também, um médico da floresta. Com generosidade, ensina sobre os saberes e a força da floresta através das plantas medicinais. Já realizou dietas profundas, como a dos Muka, considerada uma das mais fortes pelo povo; sentindo o chamado de estudar as plantas medicinas e continuar o legado dos seus mais velhos. Além de aprender com os anciões Tio Luiz e Paje Tata, ele aprende também com outros povos. Em sua aldeia, tem a missão de ensinar aos jovens e também espalha essa semente pelo Brasil e pelo mundo através da Escola Nii Vimi.
Sobre o Povo Yawanawa
Esqueça a ideia ultrapassada de um povo isolado e estático no tempo. O “Povo da Queixada” (yawa/queixada, nawa/gente) é, antes de tudo, um manifesto vivo de adaptação e resistência na Amazônia. Habitantes da Terra Indígena Rio Gregório e pertencentes à família linguística Pano, eles assumem o controle da própria identidade a começar pela assinatura: a grafia “Yawanawa” não é a que antigos colonizadores ou acadêmicos impuseram em velhos papéis (como Yawavo ou Jawanaua), mas sim a que eles mesmos cravam, com orgulho, em seus próprios documentos e cartilhas. O que torna a história dessa nação tão fascinante é a sua engenharia social. Os Yawanawa de hoje são uma grande teia humana, um coletivo plural que abraçou e integrou membros de outras etnias ao longo do tempo, como os Shawãdawa, Iskunawa, Rununawa, Sainawa e Katukina. Essa configuração robusta não aconteceu por acaso. Ela é fruto das dinâmicas tradicionais do mundo Pano, como complexas alianças matrimoniais, mas também é uma resposta inteligente e urgente às tragédias impostas pelo contato com o não-indígena. Diante de epidemias e abalos demográficos profundos, eles não recuaram rumo ao colapso; eles se uniram, fundindo memórias e famílias para continuar existindo. A vastidão do território amazônico ainda guarda as suas ironias: existe até mesmo um subgrupo homônimo vivendo entre os Yaminawa, nas cabeceiras do Rio Acre. Olhar para os Yawanawa é entender que a verdadeira força de um povo originário não está em uma pureza intocável, mas na capacidade de tecer laços, de se reinventar diante do caos e de manter a floresta em pé. É essa memória plural e indestrutível que pulsa em cada um de seus cantos.
Sobre Giulia Lapetina
Produtora cultural, formada em Produção Cultural, pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Idealizadora da produtora Ūkalli, dedica-se a projetos culturais, educativos, artísticos e socioambientais através das leis de incentivo. Já colaborou com instituições como Dançar Marketing, Secretaria de Cultura de São Paulo e Noize Media, além de liderar produções como o minidocumentário “Cupópia: a língua do quilombo Cafundó” e a exposição “Piracema: deslocamentos artísticos-curatoriais”. É diretora e produtora do documentário “Onde Há Perfume, Não Há Doença”.
Sobre a ŪKALLI Cultura
Produtora cultural idealizada por Giulia Lapetina, com mais de sete anos de atuação em projetos que conectam arte, cultura, território e impacto social. Acredita na cultura como força de regeneração. Atua em frentes como elaboração de projetos, produção e gestão cultural, consultoria, ecoturismo e laboratórios de projetos culturais.
Sobre o Programa de Contação de Histórias MCI
Lançado em 2024, é um encontro mensal voltado a crianças e famílias, dedicado aos saberes e cosmologias dos povos originários. Mais do que ouvir narrativas, o programa propõe uma imersão em diferentes modos de viver, estar e cuidar do mundo. É um espaço de escuta ativa que celebra a pluralidade de vozes indígenas, promovendo o diálogo intercultural e o respeito à diferença desde a infância.
Ao longo dessa trajetória, o programa recebeu narradores que compartilharam a força de suas ancestralidades e suas vozes ecoaram:
2024: Lilly Baniwa (Baniwa); Luã Apyká (Tupi-Guarani); Naktamanãã Kuparaka (Pataxó); Dario Machado, Gerolino Cézar e Ranulfo Camilo (Terena); Kuenan Tikuna (Tikuna/Magüta); Djagwa Ka’agwy Kara’i Tukumbó (Guarani Mbya); Cristino Wapichana (Wapichana); Énh xym Akroá Gamella (Akroá Gamella); Coletivo Kanewí, com Júlia Maynã (Xukuru-Kariri) e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó); Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Natalício Karaí de Souza (Guarani Mbya); Tserenhõ’õ Tseredzawê (Xavante); e Xipu Puri (Puri) e Abi Poty (Potyguara).
2025: Wera Xuru (Guarani Mbya); Elzeni Kaimbé (Kaimbé); Siriani Huni Kuin (Huni Kuin/Kaxinawá); Ediele Pankararu (Pankararu) e Ynaiê Máximo (Wassu-Cocal); Cristine Takuá (Maxakali), Maria Ara Poty (Guarani Mbya), Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Tamikuã Txihi (Pataxó); Lucia Benite (Guarani Mbya); Mulheres das Aldeias Piulewene e Ulupuwene (Waurá); Dani Mara (Borun e Pataxó); Tsinaki Ashaninka (Ashaninka); Maria Lídia e José Pankararu (Pankararu); Olivio Jekupé (Guarani Mbya); e Yndyan Fulkaxó (Fulkaxó), Laís Santos, Michele Saints, Simone Pankararu e Upya Pankararu (Pankararu), Txayane Fulni-ô (Fulni-ô) e Júlia Maynã (Xukuru-Kariri).
2026: Jhennifer Willys (afro-indígena, Tikuna e Kokama); Kawakani Mehinako (Mehinako); Maiara Astarte (Guajajara); Pedro Pankararé (Pankararé); Reinaldo Karai Tukumbo (Avá-Guarani); e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó) e Silvia Nogueira.
Data: 25/07/2026, sábado
Local: Museu das Culturas Indígenas
Horário: das 10h00 às 12h00
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- 30 (trinta) vagas;
- as inscrições serão realizadas de 18 a 25 de julho ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.



