12ª Jornada do Patrimônio | “Pankararu: Entre Serras e Arranha-céus”
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas de 8 a 15 de agosto ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).
No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.
Sob o concreto e prédios que definem o horizonte de São Paulo, existe um chão vivo e indígena. A narrativa oficial frequentemente tenta encobrir quem, de fato, construiu esta metrópole. Nós, no entanto, propomos um deslocamento radical do seu olhar.
O Museu das Culturas Indígenas (MCI) convida o público a reescrever essa memória durante a 12ª Jornada do Patrimônio. Provocados pelo tema deste ano, “São Paulo: Cada Olhar, Uma História”, vamos jogar luz sobre a trajetória do povo Pankararu, que, desde a intensa migração na década de 1940, ajudou a forjar a identidade, a cultura e a própria estrutura da capital paulista.
O centro desse encontro é o lançamento do documentário “Pankararu: Entre Serras e Arranha-céus”. Produzida a partir da inquietação e de uma pesquisa autônoma conduzida por jovens da comunidade, a obra foge das representações convencionais. Esses pesquisadores mergulharam em acervos institucionais e atualizaram os registros de história oral na comunidade do Real Parque (antiga Favela da Mandioca), às margens do Rio Pinheiros.
O que se projeta na tela vai além da fotografia documental. Trata-se de um ato contundente de preservação histórica. O filme revela a força das mulheres indígenas como guardiãs da memória e escancara o protagonismo Pankararu na luta que garantiu a ampliação do acesso à saúde para toda a população do território, indígena e não-indígena. É a prova de que o patrimônio cultural não é feito apenas de edifícios tombados, mas de tecnologias ancestrais e relações de cuidado que resistem ao tempo e ao concreto.
Para aprofundar essa reflexão, a exibição será seguida por uma fala dedicada ao novo material educativo do projeto. É um espaço de troca pensado especialmente para educadores, pesquisadores, realizadores audiovisuais e todos que enxergam a urgência de repensar o papel dos museus e da educação na metrópole.
Venha escutar as histórias que as pedras e os rios canalizados da Zona Sul ainda tentam contar. Os laços que unem o sertão pernambucano aos arranha-céus paulistanos permanecem inquebráveis. Entender essa ponte é o primeiro passo para respeitar quem sempre esteve aqui.
A obra audiovisual é resultado de uma parceria entre a Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu, o Museu da Cidade de São Paulo (MCSP), vinculado ao Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal da Cultura, e o Museu das Culturas Indígenas (MCI), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
Pankararu: Entre Serras e Arranha-céus
Sinopse: o que sustenta a raiz de um povo quando milhares de quilômetros separam seu chão de origem do asfalto onde hoje pisam? Em “Pankararu: Entre Serras e Arranha-céus”, essa resposta ganha corpo e ecoa na voz das mulheres da comunidade, as verdadeiras guardiãs dos ensinamentos dos encantados. Costurando passado e presente por meio de relatos recolhidos pela própria juventude indígena, a obra traduz a força de uma travessia iniciada na década de 1940 rumo a São Paulo. No lugar de uma narrativa tradicional de migração e perda, a tela revela uma teia poderosa de parentesco, cuidado coletivo e transmissão de saberes que transbordou a aldeia e revolucionou até mesmo o acesso à saúde pública no ambiente urbano. Mais do que uma atualização histórica, o filme é um manifesto afetuoso e vibrante sobre o orgulho inegociável de pertencer, cravando que o território Pankararu não se limita à geografia: ele se reinventa, respira e resiste firme, seja no sertão pernambucano ou à beira do Rio Pinheiros.
Brasil, 2026, 29’22”
Entrevistados: Adilson Pankararu, Charles Pankararu, Clarice Pankararu, Edcarlos Pankararu, Ediele Pankararu, Geracina Maria da Silva, Ivone Pankararu, Lídia Pankararu, Lu Pankararu, Luiz de Eva, Maria Francisca da Silva, Rafaela Pankararu e Santiago Pankararu
Captação Audiovisual: Alexandre Menezes, Edney dos Santos Nascimento, Gabryelle Pereira da Silva e Leandro Karaí Mirim
Edição e Montagem: Ago+Media | Produtora Audiovisual
Realização: Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu, Museu da Cidade de São Paulo (MCSP) e Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Sobre a Jornada do Patrimônio
Instituída em São Paulo no ano de 2015 e inspirada no festival francês Journées du Patrimoine, consolidou-se como um marco de valorização da memória e do território paulistano ao democratizar o acesso a edifícios históricos e narrativas culturais. Em sua 12ª edição, que traz o tema “São Paulo: Cada Olhar, Uma História”, o evento aprofunda essa missão por meio de três eixos conceituais fundamentais: “Os Construtores da Cidade”, que destaca tanto figuras notáveis quanto trabalhadores anônimos na formação material e simbólica da capital; “Os Territórios”, que analisa as sucessivas camadas de ocupação e reinvenção dos espaços físicos; e “As Dinâmicas Sociais e Culturais”, focado nas práticas, rituais e expressões que conferem sentido de pertencimento e vida ao cotidiano urbano. Promovida pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), através do seu Núcleo de Difusão do Patrimônio, da Divisão de Valorização do Patrimônio do Departamento do Patrimônio Histórico (NDP-DVP-DPH), contando com o apoio da Coordenadoria de Programação Cultural (CPROG), a iniciativa convida o público a reconhecer a cidade como um patrimônio vivo e multifacetado, onde cada trajetória individual contribui para o mosaico coletivo da história paulista.
Sobre a Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu
Fundada em 1994 no Real Parque, Zona Sul de São Paulo, é o motor político e afetivo de mais de 500 pessoas que transformaram a capital paulista em seu território de direito. Longe de atuar apenas como um reduto de saudade e memória para as famílias que migraram de Pernambuco há mais de seis décadas, a organização se firma como uma frente incisiva na reivindicação de políticas públicas, encabeçando vitórias estruturais históricas, a exemplo da inclusão em projetos habitacionais da prefeitura e da conquista de um núcleo do Programa de Saúde da Família voltado à população originária. Ao girar a roda de Toré no meio do concreto, invocando a força dos Encantados, e ao engajar a juventude em debates sobre direitos e saberes tradicionais, a Associação desafia ativamente a invisibilidade imposta pela cidade. Entre o combate diário ao preconceito e a busca atual por autonomia na captação de recursos, o espaço prova que manter a cultura Pankararu viva no contexto urbano é, antes de tudo, um ato contínuo e inegociável de defesa da própria vida.
Sobre o Museu da Cidade de São Paulo (MCSP)
Vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, assume o desafio urgente de encarar a maior metrópole abaixo da linha do Equador não como um cenário estático, mas como seu verdadeiro acervo vivo. Nascida do sopro modernista de Mário de Andrade em 1935 e consolidada ao longo de décadas de transformações, a instituição opera tanto dentro de seus muros, salvaguardando acervos preciosos de fotografia, história oral, arquitetura e documentos, quanto fora deles, nas ruas onde a profusão cultural e os contrastes urbanos acontecem. Sua estrutura descentralizada é uma rede de doze casas históricas e monumentos, como o Solar da Marquesa de Santos e a Capela do Morumbi, espalhados pelas franjas e pelo centro da capital para contar as memórias da ocupação rural e urbana entre os séculos 17 e 20. Muito além de guardar o passado, o Museu provoca uma reflexão contínua sobre as complexas dinâmicas e as múltiplas centralidades paulistanas, convidando habitantes e visitantes a decifrar a cidade simbólica que pulsa sob o concreto e a se tornarem sujeitos ativos na construção dos seus futuros possíveis.
Sobre o Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Nasceu com o propósito de articular, pesquisar e comunicar as histórias de resistência e a produção intelectual, artística e tecnológica dos povos originários. Mais do que um espaço de guarda, o MCI consolida-se como uma instituição museológica dialógica e participativa, onde a memória da ancestralidade permite o compartilhamento de saberes, filosofias e artes. Inaugurado em 2022, o museu é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim. Este modelo garante o protagonismo direto de representantes dos povos Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal, transformando o museu em um espaço pulsante de troca e salvaguarda.
Sobre o Conselho Indígena Aty Mirim
Instância responsável pela construção de mecanismos de escuta, consulta e formulação de uma agenda propositiva, comprometida com os direitos originários e com a consolidação da co-gestão indígena do MCI. Sua atuação abrange projetos cosmopolíticos nas áreas de educação, memória, patrimônio e artes, sempre em consonância com as lutas e a diversidade dos povos indígenas. O grupo é composto por representantes de diversas etnias – Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal – que trazem o contexto de diferentes territórios do Estado de São Paulo:
- Grande São Paulo: Comunidade Pankararu do Real Parque, Terra Indígena Jaraguá (Tekoas Pyau, Itakupe, Itawerá, Ytu e Yvy Porã) e Terra Indígena Tenondé Porã, na capital; e Reserva Indígena – Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra (Guarulhos);
- Litoral Norte: Aldeia Rio Bonito e Terra Indígena Renascer (Ubatuba); e Tekoa Rio Silveira (Bertioga/São Sebastião);
- Litoral Sul: Aldeia Nhamandu Oua (Itanhaém); Aldeia Nhanderu Pó – Terra Indígena Aguapeú (Mongaguá); e Aldeia Tapirema – Terra Indígena Piaçaguera e Terra Indígena Bananal (Peruíbe);
- Oeste e Sudoeste Paulista: Terra Indígena Araribá (Aldeias Ekeruá, Kopenoti, Nimuendaju e Tereguá); Terra Indígena Icatu (Braúna); e Terra Indígena Vanuíre (Arco-Íris); e
- Vale do Ribeira: Aldeia Itapu Mirim (Registro); Aldeia Itapuã (Iguape); e Tekoa Takuari (Eldorado).
Sobre o Instituto Maracá
Fundado em 2017, é uma organização da sociedade civil que atua como ponte entre os saberes originários e a sociedade não-indígena. Sua inspiração vem dos maracás – instrumentos sagrados de cabaça e sementes que conectam os povos ameríndios ao mundo espiritual. Com esse mesmo propósito de transmissão, o Instituto busca as melhores linguagens para ecoar as mensagens e conhecimentos tradicionais, dedicando-se à proteção e difusão do patrimônio histórico, ambiental e cultural dos povos originários.Pankararé (Pankararé); Reinaldo Karai Tukumbo (Avá-Guarani); e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó) e Silvia Nogueira.
Data: 15/08/2026, sábado
Local: Museu das Culturas Indígenas
Horário: das 10h00 às 12h00
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- 40 (quarenta) vagas;
- as inscrições serão realizadas de 8 a 15 de agosto ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.




