Contação de Histórias MCI | Muito Antes do “Era Uma Vez”
Sobre o Evento
As inscrições serão realizadas de 15 a 22 de agosto ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).
No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.
As crianças da sua família provavelmente conhecem castelos europeus, fadas e feras. Mas elas sabem quem vive no fundo do rio Araguaia? Ou como nasceram as grandes cachoeiras do Rio Negro?
Nesta edição especial do Agosto Indígena, o Programa de Contação de Histórias do MCI convida pais, mães e educadores a trocar os contos de fadas tradicionais por narrativas que estão vivas, pulsando na voz de quem as herdou. Quatro Mestres de Saberes assumem a roda para compartilhar histórias que não são apenas fábulas, mas bússolas de como viver, cuidar e respeitar a Terra.
Serão quatro cosmologias, contadas de forma direta e afetuosa:
“Adana, Kurukui e Buburi” (a paixão que virou rio): Emerson Baré conta a história de Adana, uma jovem prometida em casamento, mas apaixonada por outro guerreiro. Uma fuga pelos rios da Amazônia que terminou não em tragédia, mas na criação da Ilha Adana e das bravas cachoeiras de Kurukui e Buburi.
“Os Filhos do Berohoky: da profundeza das águas à vida na terra” (a escolha de subir à terra): Yriwana Teluira Karajá narra o tempo em que o povo Iny Mahãdu vivia submerso, em paz no fundo das águas, até um guerreiro descobrir o lado de fora. Uma reflexão profunda sobre o impacto humano na natureza, feita a partir da dúvida ancestral: vale a pena viver na superfície?
“A Anciã, A Árvore” (o pacto do sertão): direto da Caatinga, Fitsaká (Pankararu) traz a memória de uma velha anciã que tinha como irmã e confidente uma frondosa Aroeira. Dessa amizade entre humano e planta, nasceu a cura. Livre adaptação do livro “A Árvore do Caju”, de Auritha Tabajara.
“A Antiga Serpente que Encantou o Mundo” (o sopro da jararaca): Xipu Puri traz uma história autoral de um menino nascido do sopro de uma jararaca, que caminha pela noite escura carregando um tesouro frágil e poderoso: um vaso de barro que guarda os nomes ancestrais do povo Puri. Seu destino é o encontro com a Vó Serpente, aquela que protege os sonhos e o próprio ventre do mundo. A sabedoria e a força dessa matriarca provocam um tremor nas profundezas do chão – um abalo tão profundo que acorda a terra, fazendo a vida voltar a pulsar e brotar.
Trazer as crianças para essa escuta ativa não é apenas um passeio de fim de semana. É um ato educativo e político. É dar a elas a chance de crescer entendendo que a natureza não é um cenário para se explorar: é mãe, irmã e memória.
Sobre Emerson Baré
Do povo Baré, natural da Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Estudante do Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROFLLIND-MN/UFRJ); e graduado em Pedagogia, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Na UFRJ, é membro do Coletivo de Estudantes Indígenas (CEI), da Associação de Pós-graduandos (APG) e representante discente do PROFLLIND-MN; também integra a Articulação de Políticas Indígenas e Quilombolas (APIQ) e o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI). É membro do primeiro site indígena (“etnias.site”) e de bancas de heteroidentificação para cotas indígenas em concursos públicos. Atualmente, é Mestre de Saberes no Museu das Culturas Indígenas.
Sobre Fitsaká
Indígena Pankararu e Mestre de Saberes no Museu das Culturas Indígenas. Nascido em São Paulo em um contexto urbano e criado entre a cidade e meu território de origem no Brejo dos Padres (PE), transito com fluidez entre a tradição do meu povo e o contato constante com a sociedade não indígena. Luto diariamente pela preservação e valorização da minha cultura com a convicção de que o nosso território é onde nós estivermos, fazendo o toré ecoar por esta aldeia de pedra para manter viva e pulsante a ancestralidade que me criou.
Sobre Xipu Puri
Historiador, Mestre em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e pós-graduando em Arte: Crítica e Curadoria pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Suas produções artísticas compreendem diversos tipos de linguagem e suas obras transitam, sobretudo, pela literatura, música, artes visuais e o teatro. Nascido no interior de Minas Gerais, região de Mata Atlântica, migrou-se para São Paulo, onde atua como consultor e integra o Núcleo de Ações Educativas do Museu das Culturas Indígenas como Mestres de Saberes.
Sobre Yriwana Teluira Karajá
Indígena da etnia Iny Mahãdu (povo do rio), nascido na Aldeia Hãwalò, na Ilha do Bananal (maior ilha fluvial do planeta), banhada pelo rio Berohoky (nome dado ao Rio Araguaia na língua Iny Rybè, falada pelo povo Iny, significando “caminho” ou o “grande rio”), na divisa do Tocantins com o estado de Mato Grosso. Tem profunda conexão com os grafismos, brincadeiras e cantos de seu povo. Atualmente, vivendo em contexto urbano no município de São Paulo, faz parte da equipe do Núcleo Educativo do Museu das Culturas Indígenas como Mestre de Saberes.
Sobre o Povo Baré
Conhecidos como o “povo do rio”, os Baré (de origem Aruak) habitam o Noroeste Amazônico, navegando pelas águas do Rio Negro e seus afluentes, entre o Brasil e a Venezuela. Antes da colonização, eram a etnia mais numerosa do Amazonas. A invasão de seus territórios trouxe um rastro de violência, migrações forçadas e exploração brutal no trabalho extrativista, como o da piaçava. O impacto foi tão devastador que, nos anos 1990, chegaram a ser classificados como “”em processo de extinção””. Mas a resistência falou mais alto: os Baré se reergueram, retomaram sua força e hoje formam, novamente, uma das populações indígenas mais numerosas do Brasil.
Sobre o Povo Iny
Significa “gente” ou “nós”, comumente conhecido como Karajá, é um povo originário que habita as margens dos rios Araguaia e Javaés, nos estados de Goiás, Mato Grosso, Pará e Tocantins. Eles são divididos nos subgrupos Iny Mahãdu (Karajá), Ixãju Mahãdu (Javaé) e Ixãbiòwa (Xambioá). São amplamente reconhecidos por sua cultura vibrante, pela confecção de belíssimos cocares e pelas tradicionais Ritxòkò (bonecas de cerâmica Karajá), um bem cultural registrado no Brasil. O rito de passagem masculino Hetohoky também é uma de suas cerimônias mais importantes para a preservação de suas tradições e língua, a Inyrybe, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê.
Sobre o Povo Pankararu
Povo originário da Caatinga (único bioma exclusivamente brasileiro), no semiárido, tem sua terra, homologada em 1987, localizada entre os atuais municípios de Petrolândia, Itaparica e Tacaratu, no sertão pernambucano, próximo ao rio São Francisco; área habitada continuamente a cerca de 7 mil anos. Como outros povos vizinhos, sofreu grandes ataques na expansão do colonialismo português desde o século XVI, perda dos seus territórios, liberdade e língua. Com a crescente demanda por reconhecimento a partir do século XX, torna-se um dos primeiros povos do Nordeste a ter reconhecida sua existência e território demarcado. Hoje, com três núcleos populacionais diferentes, no território original em Brejo dos Padres (PE); na Aldeia Cinta Vermelha Jundiba (Araçuaí – MG), junto ao povo Pataxó, no Médio Jequitinhonha; e na maior metrópole do país, São Paulo (Comunidade Indígena Pankararu do Real Parque), são um exemplo da pluralidade e diversidade dos povos indígenas brasileiros, tal como sua complexa identidade socioterritorial.
Sobre o Povo Puri
Povo originário de regiões da Mata Atlântica (espalhado por SP, RJ, MG e ES | principalmente nas bacias dos rios Paraíba do Sul e Doce), eles sobreviveram à perseguição, à escravidão e à expropriação de terras guardando seus saberes em segredo. Ao longo de décadas, mantiveram o uso de plantas medicinais e rituais vivos de forma velada, muitas vezes diluídos na vida rural. A partir dos anos 1980, iniciaram um poderoso movimento de retomada — o resgate público de sua identidade, cultura e língua. Hoje, estão vivos e em luta firme pela demarcação de suas terras tradicionais, enfrentando o avanço de hidrelétricas, mineradoras e grandes empreendimentos.
Sobre o Programa de Contação de Histórias MCI
Lançado em 2024, é um encontro mensal voltado a crianças e famílias, dedicado aos saberes e cosmologias dos povos originários. Mais do que ouvir narrativas, o programa propõe uma imersão em diferentes modos de viver, estar e cuidar do mundo. É um espaço de escuta ativa que celebra a pluralidade de vozes indígenas, promovendo o diálogo intercultural e o respeito à diferença desde a infância.
Ao longo dessa trajetória, o programa recebeu narradores que compartilharam a força de suas ancestralidades e suas vozes ecoaram:
2024: Lilly Baniwa (Baniwa); Luã Apyká (Tupi-Guarani); Naktamanãã Kuparaka (Pataxó); Dario Machado, Gerolino Cézar e Ranulfo Camilo (Terena); Kuenan Tikuna (Tikuna/Magüta); Djagwa Ka’agwy Kara’i Tukumbó (Guarani Mbya); Cristino Wapichana (Wapichana); Énh xym Akroá Gamella (Akroá Gamella); Coletivo Kanewí, com Júlia Maynã (Xukuru-Kariri) e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó); Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Natalício Karaí de Souza (Guarani Mbya); Tserenhõ’õ Tseredzawê (Xavante); e Xipu Puri (Puri) e Abi Poty (Potyguara).
2025: Wera Xuru (Guarani Mbya); Elzeni Kaimbé (Kaimbé); Siriani Huni Kuin (Huni Kuin/Kaxinawá); Ediele Pankararu (Pankararu) e Ynaiê Máximo (Wassu-Cocal); Cristine Takuá (Maxakali), Maria Ara Poty (Guarani Mbya), Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Tamikuã Txihi (Pataxó); Lucia Benite (Guarani Mbya); Mulheres das Aldeias Piulewene e Ulupuwene (Waurá); Dani Mara (Borun e Pataxó); Tsinaki Ashaninka (Ashaninka); Maria Lídia e José Pankararu (Pankararu); Olivio Jekupé (Guarani Mbya); e Yndyan Fulkaxó (Fulkaxó), Laís Santos, Michele Saints, Simone Pankararu e Upya Pankararu (Pankararu), Txayane Fulni-ô (Fulni-ô) e Júlia Maynã (Xukuru-Kariri).
2026: Jhennifer Willys (afro-indígena, Tikuna e Kokama); Kawakani Mehinako (Mehinako); Maiara Astarte (Guajajara); Pedro Pankararé (Pankararé); Reinaldo Karai Tukumbo (Avá-Guarani); Awassury Fulkaxó (Fulkaxó) e Silvia Nogueira; e Mew Yawanawa (Yawanawa).
Data: 22/08/2026, sábado
Local: Museu das Culturas Indígenas
Horário: das 11h00 às 12h00
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
- 40 (quarenta) vagas;
- as inscrições serão realizadas de 15 a 22 de agosto ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.
Opções de ingresso
Como adquirir o ingresso?
Políticas de entrada
gratuita, mediante inscrição
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