11 de agosto
terça das 19:00 às 20:00
Av. Europa, 158 - Jardim Europa, São Paulo - SP, 01449-000, Brasil
Entrada Gratuita

O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal do MIS, é realizado em parceria com a Folha de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e apresenta sempre um filme seguido de bate-papo, com mediação de Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura da SBPSP. O debate é gravado e disponibilizado, posteriormente, no canal oficial do MIS no YouTube.
A edição de agosto exibe o documentário "Outsider. Freud", do cineasta israelense Yair Qedar. Premiado internacionalmente, o longa combina uma profunda pesquisa documental de arquivo com depoimentos de importantes psicanalistas para revisitar a vida e o legado de Sigmund Freud sob uma perspectiva contemporânea. O longa venceu o Gradiva Award 2025 e já foi exibido em mais de vinte países e em instituições de referência como os Museus Freud de Viena e Londres.
Após a sessão, será realizado um bate-papo com a presença do psicanalista Leopold Nosek e do escritor e psicanalista Paulo Schiller.
Sobre o filme
Outsider. Freud
(dir. Yair Qedar, 2025, 66 min, Israel/Austria/Alemanha, 12 anos)
Uma jornada em quatro atos pela vida e pela obra de Sigmund Freud, combinando animação, sonhos e reflexões de importantes psicanalistas. O filme explora a experiência de Freud como judeu marginalizado em Viena durante a ascensão de Hitler e como essa condição influenciou suas teorias e sua vida pessoal. Por meio de um olhar íntimo, o documentário revela novas dimensões do legado de Freud, destacando sua contribuição para a psicanálise, sua relação com o judaísmo e as dinâmicas de poder envolvidas na condição de ser um “outsider”.
O filme é dirigido por Yair Qedar, cineasta premiado e ativista social, especializado em documentários biográficos de caráter literário. Ao longo dos últimos 14 anos, por meio da série documental "The Hebrews", dirigiu e produziu 19 filmes dedicados a importantes escritores judeus e de língua hebraica. Qedar desenvolveu uma linguagem cinematográfica singular, que combina pesquisa aprofundada em arquivos históricos, animação inovadora e trilhas sonoras originais.
Sobre os convidados
Leopold Nosek é psicanalista, membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). É autor de inúmeros artigos e capítulos publicados em livros e periódicos nacionais e internacionais, além de “A disposição para o assombro” (Editora Perspectiva, 2017) e “O método Marlow: estudos indisciplinares em psicanálise” (Editora Perspectiva, 2025). Editou “Álbum de família: imagens, fontes e ideias da psicanálise em São Paulo” (Casa do Psicólogo, 1994). Foi editor da Revista Ide e da Revista Brasileira de Psicanálise e um dos idealizadores da revista latino-americana Calibán. Em 2014, recebeu o Sigourney Award, em reconhecimento à sua atuação clínica e institucional e à aproximação da psicanálise com a cultura, a política e as artes. Entre os inúmeros trabalhos realizados em favor da psicanálise, presidiu a SBPSP, a FEBRAPSI e a Federação Psicanalítica da América Latina (FEPAL).
Paulo Schiller é psicanalista, escritor e tradutor literário do húngaro, do inglês e do francês. Reconhecido por suas traduções diretas do alemão, verteu para o português obras fundamentais de Sigmund Freud, Franz Kafka e Thomas Mann, além obra “Sátántangó” do Prêmio Nobel de 2025, autoria de László Krasznahorkai. Paulo também é médico pediatra formado pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenou, durante 12 anos, o Serviço de Psicologia e Psicanálise do Departamento de Oncologia Pediátrica da Unifesp (GRAACC).
"Outsider. Freud" por Luciana Saddi
Yair Qedar é um cineasta e documentarista israelense, conhecido por seus filmes sobre importantes figuras da cultura judaica. Em “Outsider. Freud” (2025), apresenta a vida e a obra de Sigmund Freud. O percurso parte de sua condição judaica na Viena antissemita; recupera suas primeiras descobertas científicas; atravessa a morte do pai e a autoanálise; chega à criação da psicanálise e à polêmica em torno da sexualidade infantil; acompanha as inúmeras perdas familiares e o confronto com a doença e a morte; e termina com a fuga de Viena e o exílio em Londres. Talvez por retratar, ao mesmo tempo, a trajetória de um pensamento e a de um homem, o filme recorra à imagem do trem. Ela parece costurar os deslocamentos históricos e conceituais de Freud às transformações de sua vida interior, marcadas pelo luto, pela investigação da psique e pela invenção da psicanálise.
Mais do que reconstruir uma biografia, “Outsider. Freud” mostra como a criação freudiana foi, ao mesmo tempo, marginal e revolucionária para o pensamento de sua época. Ao instituir um método de investigação da psique e uma prática clínica de tratamento, Freud abalou a centralidade do sujeito racional, conferiu ao inconsciente um lugar estruturante e transformou radicalmente a compreensão da sexualidade. O filme sugere que sua posição de exterioridade — cultural, epistemológica e simbólica, sempre marcada por tensão — não foi apenas circunstancial, mas esteve no cerne da invenção psicanalítica.
É verdade que cada psicanalista tem um Freud — ou vários Freuds — para chamar de seu. O mesmo vale para os biógrafos. Com “Outsider. Freud” não é diferente. Ao retornar ao tempo de Freud, o filme também se dirige ao presente: entrelaça história e olhar contemporâneo, sem pretender oferecer uma imagem definitiva de seu personagem. O Freud que emerge é, portanto, também aquele que nosso tempo é capaz de ver.
MIS - Museu da Imagem e do Som
11 de agosto
terça das 19:00 às 20:00
Av. Europa, 158 - Jardim Europa, São Paulo - SP, 01449-000, Brasil
Entrada Gratuita

Produtora do Evento