25 de setembro
sexta das 19:00 às 20:00
Praça Cel. Fernando Prestes, 152 - Bom Retiro, São Paulo - SP, 01124-060, Brasil
Entrada Gratuita

Atividade presencial e gratuita, sem necessidade de inscrição (sujeita à lotação do espaço), realizada no Arquivo Histórico Municipal – AHM (Praça Coronel Fernando Prestes, 152 – Bom Retiro).
Quem ergueu as estruturas, abriu os caminhos e manteve viva a cultura no coração da metrópole? A partir da década de 1940, famílias Pankararu saíram do sertão de Pernambuco e fincaram pé em solo paulistano, construindo a cidade com o próprio trabalho e refazendo suas redes de afeto e cura no Real Parque.
O documentário “Pankararu: entre serras e arranha-céus” (29 min), pesquisado e realizado pela própria juventude do povo, traz essa história sem intermediários. Longe do olhar colonizado, a obra mostra a força das mulheres, a voz dos encantados e as lutas por saúde pública e moradia que transformaram a vida comunitária no ambiente urbano. Logo após a exibição, o público conversa diretamente com Edcarlos Pereira do Nascimento (Carlinhos Pankararu) – morador do Real Parque, primeiro assistente social indígena do estado e articulador da Associação SOS Comunidade Indígena Pankararu. Carlinhos traz para o centro do debate as memórias, as conquistas e os desafios da presença indígena que a história oficial paulistana insistiu em ignorar.
A atividade marca a estreia do Museu das Culturas Indígenas (MCI) na programação do Festival Arquivo Aberto (FAA 2026), sob o tema “Cidade, memória e trabalho”; integrando também a 20ª Primavera dos Museus (“Museus para Todas as Pessoas”). Um convite aberto a estudantes, pesquisadores, moradores do Bom Retiro e a todas as pessoas interessadas em enxergar São Paulo por inteiro.
A obra audiovisual é resultado de uma parceria entre a Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu, o Museu da Cidade de São Paulo (MCSP), vinculado ao Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal da Cultura, e o Museu das Culturas Indígenas (MCI), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
Sinopse: o que sustenta a raiz de um povo quando milhares de quilômetros separam seu chão de origem do asfalto onde hoje pisam? Em “Pankararu: Entre Serras e Arranha-céus”, essa resposta ganha corpo e ecoa na voz das mulheres da comunidade, as verdadeiras guardiãs dos ensinamentos dos encantados. Costurando passado e presente por meio de relatos recolhidos pela própria juventude indígena, a obra traduz a força de uma travessia iniciada na década de 1940 rumo a São Paulo. No lugar de uma narrativa tradicional de migração e perda, a tela revela uma teia poderosa de parentesco, cuidado coletivo e transmissão de saberes que transbordou a aldeia e revolucionou até mesmo o acesso à saúde pública no ambiente urbano. Mais do que uma atualização histórica, o filme é um manifesto afetuoso e vibrante sobre o orgulho inegociável de pertencer, cravando que o território Pankararu não se limita à geografia: ele se reinventa, respira e resiste firme, seja no sertão pernambucano ou à beira do Rio Pinheiros.
Brasil, 2026, 29’22”
Entrevistados: Adilson (Didi) Pankararu, Charles Pankararu, Clarice Pankararu, Edcarlos Pereira do Nascimento (Carlinhos Pankararu), Ediele Pankararu, Geracina Maria da Silva, Ivone Pankararu, Lídia Pankararu, Lu Pankararu, Luiz de Eva, Maria Francisca da Silva, Rafaela Pankararu e Santiago Pankararu (Fitsaká)
Captação Audiovisual: Alexandre Menezes, Edney dos Santos Nascimento, Gabryelle Pereira da Silva e Leandro Karaí Mirim
Edição e Montagem: Ago+Media | Produtora Audiovisual
Realização: Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu, Museu da Cidade de São Paulo (MCSP) e Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Sobre Edcarlos Pereira do Nascimento
Conhecido como Carlinhos Pankararu, nasceu na Aldeia Indígena Pankararu de Brejo dos Padres (Tacaratu – PE). Graduado em Serviço Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na primeira turma do Programa Pindorama, em 2002, é o primeiro Assistente Social Indígena do Estado de São Paulo. Trabalhou por 15 anos em Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e, atualmente, trabalha em Serviço de Assistência Social a Família em Domicílio (SASF). Desde 2014, também coordena o processo de inclusão de alunos indígenas ou em vulnerabilidade social no Cursinho da Poli (onde foi aluno em 2001). É militante e articulador na Associação SOS Comunidade Indígena Pankararu e Conselheiro Gestor da Unidade Básica de Saúde (UBS), no Real Parque, Zona Sul de São Paulo, onde reside há mais de 44 anos.
Sobre o Festival Arquivo Aberto (FAA)
Idealizado pelo Arquivo Histórico Municipal (AHM) em conjunto com a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMCEC), o Festival Arquivo Aberto nasce do compromisso de tirar os documentos históricos do silêncio das prateleiras e colocá-los no centro do debate público. Chegando à sua 4ª edição com o tema “Cidade, memória e trabalho”, a iniciativa tensiona a preservação do patrimônio paulistano, usando a documentação pública como ferramenta para expor apagamentos, disputar narrativas e enfrentar as desigualdades que moldaram São Paulo.
Sobre a Primavera dos Museus
Criada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a Primavera dos Museus ocorre anualmente no início da estação para chacoalhar a relação entre os acervos e a população. Chegando à 20ª edição entre os dias 21 e 27 de setembro de 2026, com o tema “Museus para Todas as Pessoas”, a temporada mobiliza debates, oficinas e exposições pelo país com um objetivo direto: abrir portas, democratizar o acesso à cultura e reafirmar que o patrimônio histórico pertence a quem vive a cidade.
Sobre a Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu
Fundada em 1994 no Real Parque, Zona Sul de São Paulo, é o motor político e afetivo de mais de 500 pessoas que transformaram a capital paulista em seu território de direito. Longe de atuar apenas como um reduto de saudade e memória para as famílias que migraram de Pernambuco há mais de seis décadas, a organização se firma como uma frente incisiva na reivindicação de políticas públicas, encabeçando vitórias estruturais históricas, a exemplo da inclusão em projetos habitacionais da prefeitura e da conquista de um núcleo do Programa de Saúde da Família voltado à população originária. Ao girar a roda de Toré no meio do concreto, invocando a força dos Encantados, e ao engajar a juventude em debates sobre direitos e saberes tradicionais, a Associação desafia ativamente a invisibilidade imposta pela cidade. Entre o combate diário ao preconceito e a busca atual por autonomia na captação de recursos, o espaço prova que manter a cultura Pankararu viva no contexto urbano é, antes de tudo, um ato contínuo e inegociável de defesa da própria vida.
Sobre o Museu da Cidade de São Paulo (MCSP)
Vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, assume o desafio urgente de encarar a maior metrópole abaixo da linha do Equador não como um cenário estático, mas como seu verdadeiro acervo vivo. Nascida do sopro modernista de Mário de Andrade em 1935 e consolidada ao longo de décadas de transformações, a instituição opera tanto dentro de seus muros, salvaguardando acervos preciosos de fotografia, história oral, arquitetura e documentos, quanto fora deles, nas ruas onde a profusão cultural e os contrastes urbanos acontecem. Sua estrutura descentralizada é uma rede de doze casas históricas e monumentos, como o Solar da Marquesa de Santos e a Capela do Morumbi, espalhados pelas franjas e pelo centro da capital para contar as memórias da ocupação rural e urbana entre os séculos 17 e 20. Muito além de guardar o passado, o Museu provoca uma reflexão contínua sobre as complexas dinâmicas e as múltiplas centralidades paulistanas, convidando habitantes e visitantes a decifrar a cidade simbólica que pulsa sob o concreto e a se tornarem sujeitos ativos na construção dos seus futuros possíveis.
Sobre o Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Nasceu com o propósito de articular, pesquisar e comunicar as histórias de resistência e a produção intelectual, artística e tecnológica dos povos originários. Mais do que um espaço de guarda, o MCI consolida-se como uma instituição museológica dialógica e participativa, onde a memória da ancestralidade permite o compartilhamento de saberes, filosofias e artes. Inaugurado em 2022, o museu é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim. Este modelo garante o protagonismo direto de representantes dos povos Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal, transformando o museu em um espaço pulsante de troca e salvaguarda.
Sobre o Conselho Indígena Aty Mirim
Instância responsável pela construção de mecanismos de escuta, consulta e formulação de uma agenda propositiva, comprometida com os direitos originários e com a consolidação da co-gestão indígena do MCI. Sua atuação abrange projetos cosmopolíticos nas áreas de educação, memória, patrimônio e artes, sempre em consonância com as lutas e a diversidade dos povos indígenas. O grupo é composto por representantes de diversas etnias – Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal – que trazem o contexto de diferentes territórios do Estado de São Paulo:
Sobre o Instituto Maracá
Fundado em 2017, é uma organização da sociedade civil que atua como ponte entre os saberes originários e a sociedade não-indígena. Sua inspiração vem dos maracás – instrumentos sagrados de cabaça e sementes que conectam os povos ameríndios ao mundo espiritual. Com esse mesmo propósito de transmissão, o Instituto busca as melhores linguagens para ecoar as mensagens e conhecimentos tradicionais, dedicando-se à proteção e difusão do patrimônio histórico, ambiental e cultural dos povos originários.
Data: 25/09/2026, sexta-feira
Local: Arquivo Histórico Municipal - AHM (Praça Coronel Fernando Prestes, 152 - Bom Retiro)
Horário: das 19h00 às 20h00
Entrada: gratuita, sem inscrição
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
Políticas de entrada
gratuita, sem necessidade de inscrição
MCI - Museu das Culturas Indígenas
25 de setembro
sexta das 19:00 às 20:00
Praça Cel. Fernando Prestes, 152 - Bom Retiro, São Paulo - SP, 01124-060, Brasil
Entrada Gratuita

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