17 de outubro
sábado das 10:30 às 12:00
R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo - SP, 05002-062, Brasil
Entrada Gratuita

Atividade presencial e gratuita, sem necessidade de inscrição.
O 12 de outubro guarda contradições profundas no Brasil: a data que marca o início da invasão europeia no continente virou, com o tempo, uma imensa vitrine de consumo. Na contramão dessa lógica de mercado, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) convida o público no dia 17 de outubro de 2026 para a vivência Dia das Crianças | A Cutia e os Encantados da Mata. Para os povos originários, a infância não se mede por brinquedos empacotados, mas por laços comunitários, acolhimento, liberdade e contato direto com a terra.
A atividade será conduzida pela artista-educadora Juliana Costa, pertencente a uma família do povo Tremembé – comunidade cearense que historicamente recusa o silenciamento e mantém viva a força de sua identidade. Mobilizando saberes da tradição oral e memórias de sua própria infância, Juliana propõe uma passagem ativa pela floresta. Longe da postura de quem apenas assiste, as crianças usam o próprio corpo para brincar, cantar e encarar atravessamentos.
A vivência acontece em cinco movimentos integrados:
Sobre Juliana Costa
É artista-educadora, escritora, brincante e contadora de histórias tradicionais, de família indígena Tremembé do Ceará. Cresceu em meio à tradição oral, ouvindo de seus pais histórias sobre os seres da mata, os encantados, os animais e os mistérios da natureza. Conta histórias desde a infância e, aos 19 anos, iniciou sua trajetória profissional realizando apresentações para diferentes públicos. É formada em Pedagogia pela UNIRIO e possui trajetória de formação e pesquisa voltada às culturas tradicionais, indígenas e afro-brasileiras, à oralidade, à educação, às brincadeiras populares, à memória e aos saberes ancestrais. Sua prática como artista-educadora também é construída a partir dos conhecimentos transmitidos por sua família e do encontro com mestres, brincantes e lideranças de culturas tradicionais. Ao longo de sua trajetória, apresentou-se em importantes espaços culturais, como CCBB Rio, MAM Rio, Museu do Pontal, Museu do Folclore/IPHAN, Parque Lage, Teatro Popular de Niterói, bibliotecas, feiras literárias e festivais de contadores de histórias. No SESC, já realizou apresentações e ações educativas em diferentes unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de ter levado seu trabalho de contação de histórias e cultura tradicional para ações realizadas na Paraíba e no Ceará. Juliana também possui experiência no campo da educação, tendo atuado como educadora-brincante pelo Programa de Iniciação Artística (PIÁ) e como educadora de culturas indígenas e africanas em ONGs, desenvolvendo atividades que aproximam infância, arte, território, ancestralidade e educação. As histórias que compõem grande parte de seu repertório foram aprendidas com seus pais e transmitidas pela oralidade, trazendo narrativas sobre seres da mata, encantados e modos tradicionais de compreender a relação entre pessoas, animais e natureza. Em suas apresentações, reúne contação de histórias, música, brincadeiras, bonecos e elementos das culturas tradicionais, convidando crianças e adultos a participarem ativamente das narrativas e fortalecendo a transmissão de saberes entre gerações.
Sobre o Povo Tremembé
Habitantes seculares do litoral e do interior do Ceará (concentrados nos municípios de Itarema, Acaraú e Itapipoca), os Tremembé são guardiões das praias, manguezais, dunas e da caatinga que cercam a bacia do rio Aracati-Mirim. Alvo de intensa violência colonial e do aldeamento forçado na antiga Missão de Almofala, viram suas terras serem invadidas por latifundiários no século XIX e enfrentaram a tentativa sistemática de apagamento de sua identidade, sendo pejorativamente chamados de “caboclos”. A comunidade, contudo, recusou o silêncio. Mantiveram-se firmes no território e preservaram a dança do Torém, seu ritual sagrado de força e coesão comunitária. A partir dos anos 1980, os Tremembé protagonizaram um vigoroso movimento de autoafirmação e retomada étnica, conquistando em 2003 a homologação da Terra Indígena Córrego do João Pereira — a primeira a ser reconhecida no estado do Ceará. Hoje, somando cerca de 5 mil pessoas, o povo Tremembé segue em luta contínua pela demarcação total de seus territórios e pela proteção da biodiversidade de seu chão.
Sobre o Dia das Crianças – 12 de outubro
Criado oficialmente pelo Decreto nº 4.867, assinado em novembro de 1924 pelo presidente Artur Bernardes a partir de proposta do deputado Galdino do Valle Filho, o dia visava convocar a sociedade para discutir saúde, educação e direitos da infância. A escolha da data guarda uma profunda contradição histórica. Definida durante o 1º Congresso Brasileiro de Proteção à Infância, no Rio de Janeiro (1923), a data aludia à chegada de Cristóvão Colombo à América, então rotulada pelo olhar colonial como o “continente criança”. Para os povos originários, contudo, esse marco rememora o início da invasão de seus territórios — um processo que atingiu diretamente a vida, a cultura e a integridade de suas crianças. O apelo comercial só ganhou força nas décadas de 1950 e 1960, impulsionado por estratégias publicitárias de fabricantes de brinquedos. Frente à lógica de mercado, as culturas indígenas oferecem um contraponto vívido: a infância não se mede por brinquedos ou mercadorias, mas por laços comunitários, liberdade e vivência com a terra. Nas aldeias, a criança é semente de autoafirmação e continuidade ancestral, aprendendo na rotina do território a história, os cantos e a responsabilidade coletiva com a vida. Pensar a infância com seriedade exige desatar os nós do consumo e garantir proteção, chão e dignidade para as crianças de todos os povos.
Data: 17/10/2026, sábado
Local: Museu das Culturas Indígenas
Horário: das 10h30 às 12h00
Entrada: gratuita, mediante inscrição
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
Políticas de entrada
gratuita
MCI - Museu das Culturas Indígenas
17 de outubro
sábado das 10:30 às 12:00
R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo - SP, 05002-062, Brasil
Entrada Gratuita

Produtora do Evento