Em novembro, a Pinacoteca de São Paulo apresenta Via Satélite: Diálogos com Nam June Paik, exposição realizada em parceria com o Nam June Paik Art Center, instituição responsável pela salvaguarda e difusão das obras do artista sul-coreano. Ao longo da segunda metade do século XX, Nam June Paik (Seul, Coreia do Sul, 1932 – Miami, EUA, 2006) viveu e investigou a globalização, com foco sobretudo na televisão enquanto fenômeno de disseminação em larga escala, aproximação de territórios distantes e laboratório de linguagem. Partindo da produção deste artista, pioneiro na videoarte e nas práticas experimentais, a exposição é um convite para pensarmos sobre os trânsitos internacionais, suas contaminações e as negociações culturais realizadas nos contextos locais, em um mundo cada vez mais midiático e global.
Como parte dos artistas convidados para esses diálogos, Jane Jin Kaisen, artista e cineasta sul-coreana participante da exposição, tem como principais interesses a investigação da memória, da migração, do deslocamento, das fronteiras e das histórias coletivas. Após sua primeira visita à São Paulo em pesquisa para a exposição, o Bom Retiro – bairro onde a Pinacoteca está localizada – se apresentou à artista como uma fonte de inspiração, pela sua diversidade e diversidade cultural além da forte presença da comunidade coreana imigrante.
É nesse contexto que a artista desenvolve Knots and Folds II, convidando o bairro a participar de uma vivência coletiva em torno do sochang, tecido de algodão tradicional coreano que atravessa diferentes dimensões da vida, do cotidiano aos ritos de passagem, e que em sua prática se relaciona às ideias de cuidado, memória e conexão. A partir do encontro entre diferentes histórias de migração e deslocamento, a ação aproxima o Bom Retiro e suas comunidades de práticas artísticas e saberes tradicionais coreanos, fazendo do tecido um elemento de ligação entre pessoas, histórias e territórios, em uma procissão que conectará o bairro à Pinacoteca na manhã de abertura da exposição.
O projeto será desenvolvidos em duas etapas: a primeira, uma oficina para até 30 pessoas com a presença da artista, onde será elaborado uma corda de 40m feitos de Sochang. O segundo momento é uma procissão / cortejo com a presença de artistas e percussionistas coreanos saindo do interior do Bom Retiro até a Pina Contemporânea. A procissão não envolverá apenas os participantes da oficina, mas também a comunidade do próprio bairro.
PINAC - Pina Contemporânea

Produtora do Evento