FLAN | BOACÉ MEHTL’ON (“palavra-coragem”) - A Palavra como Reconhecimento e Direito ao Território, com Churiah Puri (mediação), Márcia Mura e Potyra Krikati Guajajara
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A publicação de um livro por mulheres originárias é, antes de tudo, uma demarcação de texto e de território. Márcia Mura e Potyra Krikati Guajajara, mediadas por Churiah Puri (Aline Pachamama), mostram como a escrita ancestral registra uma memória coletiva indissoc iável dos rios, das árvores e dos biomas. Não se trata de debater a terra como posse, mas como pertencimento. Neste encontro de abertura do FLAN, a literatura recusa o silêncio das estantes e se impõe como instrumento de autoafirmação e direito ao território, provando que a história oral e as culturas indígenas sustentam a vida e exigem o fim definitivo do apagamento histórico.
Sobre Márcia Mura
Bioma Amazônia | Também conhecida pelo nome tradicional Tanãmak, que significa “grande guerreira”, é uma importante liderança indígena, educadora, historiadora e escritora brasileira pertencente ao povo Mura. Nascida na comunidade ramal São Domingos, em Porto Velho, Rondônia, sua trajetória é marcada pela defesa dos territórios tradicionais e pela valorização da memória indígena na Amazônia. Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP); Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM); graduada em História pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR); e aprendiz dos saberes dos mais velhos. Autora do livro “Tecendo Memórias”.
Sobre Potyra Krikati Guajajara (frequentemente grafada como Potira)
Bioma Amazônia | É uma importante liderança indígena, artesã, professora e mestra de saberes tradicionais. Nascida no Maranhão, ela carrega em sua ancestralidade a dupla identidade dos povos Krikati e Guajajara. Há anos radicada no Rio de Janeiro, ela se destaca como uma das principais referências de resistência e preservação cultural no contexto do indígena urbano. Ela é uma das lideranças fundamentais da Aldeia Maraká’nà (localizada no Rio de Janeiro), espaço urbano central para a articulação, resistência e difusão de culturas indígenas no Sudeste. É a idealizadora do Círculo Sagrado das Mulheres (ou Ciclo Sagrado Feminino) e do Centro de Etnoconhecimento Socioambiental Cauiré (CESAC). Coautora do livro “Cantos e Encantos”.
Sobre Churiah Puri (Aline Pachamama)
Bioma Mata Atlântica | Historiadora, escritora, ilustradora e um dos principais nomes da literatura e da preservação cultural indígena no Brasil. É pioneira ao idealizar a Pachamama Editora, a primeira iniciativa editorial do país voltada para a publicação em línguas indígenas, atuando diretamente na reparação linguística e territorial por meio dos livros. Também fundou o Instituto Pachamama, organização dedicada à reparação histórica do povo Puri e à defesa dos direitos à terra, às águas e à biodiversidade da Serra da Mantiqueira. No campo acadêmico e científico, possui Doutorado em História Cultural pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Mestrado em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com especialidade na metodologia da História Oral. Sua pesquisa interdisciplinar – que conecta História, Geologia e Arqueologia – recebeu amplo reconhecimento de instituições de prestígio, sendo considerada cientista pelo projeto Minas Faz Ciência, além de premiada e reconhecida pelo Museu Histórico Nacional e pelo Instituto Serrapilheira. É curadora da 2ª edição do Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas, com o tema “Boacé Uchô - A Palavra Está na Terra”.
Data: 03/11/2026, terça-feira
Local: Youtube do MCI
Horário: das 15h às 16h
Entrada: gratuita, mediante inscrição
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
Políticas de entrada
gratuita
MCI - Museu das Culturas Indígenas

Produtora do Evento