FLAN | SCHUTEH POTEH (“boa luz”) - A Poesia da Escrita Indígena, com Clarice Pankararu (mediação), Môrena e Graça Graúna
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A poesia não se resume a métricas e rimas; ela é tática de defesa e de mudança social. Graça Graúna e Môrena, mediadas por Clarice Pankararu, discutem como a escrita originária traduz a força bruta da natureza e ecoa vozes ancestrais para denunciar injustiças. Aqui, o afeto vira escudo e a vivência se transforma em denúncia contra o esquecimento. Os versos subversivos e livres articulam a resistência, provando que a arte cura feridas impostas pela colonização ao mesmo tempo em que promove o acolhimento e desperta o senso crítico e a empatia.
“E a poeta versa esperança e une-a em atos,
Num mundo em que, infelizmente,
As palavras e os fatos pouco se encontram.
O poeta valsa, canta e faz encantamento.
E a poesia chega aos ouvidos dos que têm olhos despertos.
Dos que repudiam as mazelas corriqueiras dos sem palavras de afeto.
Chega de pronto e mora no outro,
Com raízes verseiras de luz subterrânea,
Aquelas da alma.
E não há como resistir se um verso chegou e te fez pulsar.
A poeta é subversiva.
Nela, não há fronteira,
Nela, o amor é verbo.
E o verso é tal como sua criadora,
Livre.”
(Churiah Puri)
Sobre Graça Graúna
Mulher, mãe, avó, indígena, filha do Povo Potiguara do Rio Grande do Norte, escritora e professora universitária. Formou-se em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também fez seu mestrado sobre mitos indígenas na literatura infantil e o doutorado sobre literatura indígena contemporânea no Brasil. Coordenou o Projeto de Especialização para Formação de Professores Indígenas no Estado de Pernambuco, no campus da Universidade de Pernambuco em Garanhuns. Sua produção cultural também se estende a colaboração em revistas e jornais, entre eles: o Arte e Palavra (Sergipe), Suplemento Literário do Minas (Belo Horizonte) e o Jornal de Letras (Lisboa), em que comenta a literatura da perspectiva indígena. É responsável pelo blog “Tecido de Vozes”.
Sobre Môrena
Filha do Cerrado, neta da Mata Atlântica e da Caatinga, é natural do Distrito Federal e tem raízes familiares Pataxó em Minas Gerais e Bahia. Iniciou sua trajetória como artista de rua, lugar onde buscou espaço para projetar as vozes das matas também. Poeta, artista multimídia, arte educadora, entrelaça linguagens diversas em suas criações. Ao longo do tempo foi alcançando espaços no território nacional, através das artes visuais, da poesia falada e da oralidade como tecnologia. Publicou, em 2019, pela editora AUA, o livro “Id(entidades)”, dividindo páginas com suas primas Amarú Pataxó e Isabela Santana. Expandiu seu trabalho para a vídeo-arte, linguagem que conheceu na academia e experimenta desde 2019. Em parceria com o artista Ian Wapichana, realizou “A Natureza Não é Lobo do Homem”, vídeo gravado no território onde cresceu, premiado pelo Funarte RespirArte, prêmio lançado em junho de 2020 pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), e hoje parte do acervo do Museu de Arte de Santa Catarina (MASC). Formou-se em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, está como professora de Artes pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e atua na comunidade onde é radicada, em São Sebastião. Integra o Programa Territórios do Instituto Tomie Ohtake, como pesquisadora na vida e na docência. Sua produção articula memórias, palavra, imagem, corpo e territórios, estabelecendo diálogos entre contextos urbanos e saberes ancestrais.
Sobre Clarice Pankararu (mediação)
Bioma Caatinga | Nascida na Aldeia Pankararu Brejo dos Padres (Tacaratu – PE). Atualmente, é Supervisora do Núcleo de Exposições e Programação Cultural do Museu das Culturas Indígenas (NEPC-MCI); secretária da Associação Indígena SOS Comunidade Indígena Pankararu (Real Parque); Conselheira Titular no Conselho Estadual dos Povos Indígenas de São Paulo (CEPISP); e integrante da equipe organizadora do Encontro Anual do Povo Pankararu, no Projeto Casulo do Real Parque. Já atuou como Mestra de Saberes no MCI. É mestranda no Programa de Pós-Graduação em Artes em Processos e Procedimentos Artísticos do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (PPGArtes IA-UNESP), com o projeto “Performances de Espiritualidade, Encantamento e Corporeidade Pankararu em Território Urbano: Práticas do grupo Pankararu em Movimento”; pós-graduada no MBA em Gestão de Museus e Inovação, pela UNIMAIS, em parceria com a Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC), EXPOMUS e o Instituto Tomie Ohtake; e é bacharel em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Data: 05/11/2026, quinta-feira
Local: Yotube do MCI
Horário: das 15h às 16h
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
Políticas de entrada
gratuita
MCI - Museu das Culturas Indígenas

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