6 de novembro
sexta das 14:00 às 16:00
R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo - SP, 05002-062, Brasil
Entrada Gratuita
ATIVIDADE PRESENCIAL E GRATUITA, COM INSCRIÇÃO POR ORDEM DE CHEGADA, ATÉ O ESGOTAMENTO DAS VAGAS.
PONTO DE ENCONTRO: 30 minutos antes do início da atividade, às 13h30, diretamente na Trilha do Pau-Brasil, dentro do Parque da Água Branca (Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca).
As florestas não se calam; suas raízes conversam no útero da terra e emitem um som acolhedor para quem aceita desacelerar. Inspirada pela experiência na Serra da Mantiqueira e na escrita de Aline Pachamama (Churiah Puri), esta visita funde a vivência da Mata Atlântica à força da escrita originária. Parte da programação do Festival Literário Ayvu Nhevaitim e da 16ª Virada Sustentável, o percurso toma a Trilha do Pau-Brasil e avança em direção ao Museu das Culturas Indígenas.
O trajeto começa no Parque da Água Branca, com o caminhar ladeado por jequitibás e ipês, como primeiro passo para silenciar a pressa e reconhecer o corpo da terra. O bioma sustenta o ecossistema, mas também guarda a escrita ancestral cravada no chão. Das raízes do parque, a experiência segue para a exposição Ayvu Porã, dentro do MCI. Lá, a caminhada se transforma em escuta direta das “Belas Palavras” - os cantos e rezas da cultura Guarani gravados na madeira, o mesmo elemento do instrumento sagrado de Nhanderu.
Conduzido por Churiah Puri e pelos Mestres de Saberes, o encontro recusa a postura de passeio passivo. Na visão originária, os mais velhos funcionam como árvores ancestrais vivas. Sob a sombra dessa memória coletiva, a poesia, a defesa dos biomas e a autoafirmação indígena se revelam como uma única e inegociável tática de existência.
Sobre Churiah Puri (Aline Pachamama)
Bioma Mata Atlântica | Historiadora, escritora, ilustradora e um dos principais nomes da literatura e da preservação cultural indígena no Brasil. É pioneira ao idealizar a Pachamama Editora, a primeira iniciativa editorial do país voltada para a publicação em línguas indígenas, atuando diretamente na reparação linguística e territorial por meio dos livros. Também fundou o Instituto Pachamama, organização dedicada à reparação histórica do povo Puri e à defesa dos direitos à terra, às águas e à biodiversidade da Serra da Mantiqueira. No campo acadêmico e científico, possui Doutorado em História Cultural pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Mestrado em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com especialidade na metodologia da História Oral. Sua pesquisa interdisciplinar – que conecta História, Geologia e Arqueologia – recebeu amplo reconhecimento de instituições de prestígio, sendo considerada cientista pelo projeto Minas Faz Ciência, além de premiada e reconhecida pelo Museu Histórico Nacional e pelo Instituto Serrapilheira. É curadora da 2ª edição do Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas, com o tema “Boacé Uchô - A Palavra Está na Terra”.
Sobre os Mestres de Saberes
Biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica | São aqueles que são capazes de trazer para o museu as referências, os valores e as narrativas de suas comunidades. Não se trata de uma sabedoria absoluta, mas de cuidarem e desenvolverem modos próprios de compartilhar os saberes tradicionais, conectando as comunidades indígenas e os visitantes do museu. A partir desta atuação, contribuem para a valorização dos saberes originários e para o diálogo das culturas indígenas com a educação dentro e fora das escolas, possibilitando a criação e o aperfeiçoamento dos espaços de representatividade indígena nos equipamentos públicos de cultura. Atualmente, o MCI tem Mestres das etnias Baré, Guarani Mbya, Iny-Karajá, Mehinako, Pankararu, Puri e Xukuru que integram a equipe educativa.
Sobre a Trilha do Pau-Brasil
Dentro do Parque da Água Branca, com cerca de 500 metros de extensão, o percurso tem um perfil altitudinal de 76 a 100 metros, e pode ser percorrida em até 30 minutos; a dificuldade é considerada FÁCIL. A trilha integra o Guia de Áreas Protegidas da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil-SP).
Sobre o Parque da Água Branca
O Parque da Água Branca é um verdadeiro refúgio verde no coração da cidade de São Paulo. Inaugurado em 1929 como sede da diretoria de indústria animal, o parque atualmente combina áreas de lazer, cultura, educação ambiental e principalmente, contato com a natureza. Entre seus maiores tesouros estão as árvores da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. Lá, é possível encontrar espécies nativas como o jequitibá-rosa, pau-ferro, ipê-amarelo, pau-brasil, paineira entre outras. O Parque da Água Branca é um convite para desacelerar, respirar fundo e se reconectar com o que a natureza ainda oferece em meio à cidade.
Sobre a Exposição “Ayvu Porã – As Belas Palavras”
Na cosmologia Guarani, a palavra não é mero recurso de fala: é o fundamento da própria vida humana, soprado por Nhanderu na noite originária. Ayvu Porã (As Belas Palavras) reúne o conjunto de rezas e cantos sagrados guardados na memória dos xeramoi e xejaryi – os anciãos e anciãs que mantêm acesa a chama dessa sabedoria. A exposição toma a madeira – o mesmo elemento do Popygua’i, instrumento sagrado de criação – como suporte para essa memória. Gravados no corpo das árvores dos territórios, os cantos e as palavras originárias recusam a tradução facilitada. Revelam que a sabedoria indígena permanece viva e enraizada, oferecendo abrigo, proteção e orientação espiritual para quem se dispõe a escutar sem filtros.
Sobre o 2º Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) — Encontro de Vozes Indígenas
3 a 8 de novembro de 2026 | Museu das Culturas Indígenas
O Museu das Culturas Indígenas (MCI) traz a segunda edição do Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas. O evento será uma celebração da literatura que valoriza a autoria das identidades indígenas brasileiras, destacando suas histórias nas primeiras publicações editoriais no país. Com curadoria de Aline Pachamama (Churiah Puri), que traz “Boacé Uchô - A Palavra Está na Terra” como tema.
Com atividades voltadas para todas as idades – nos formatos presenciais e virtuais –, o evento reunirá autores, editores, artistas e o público geral em uma programação intensa de seis dias, com rodas de conversa, oficinas criativas, saraus, contações de história, feira de livros e mediações para escolas.
O festival propõe um plantio coletivo de ideias para:
- Escutar sem filtros: o protagonismo absoluto é da voz e da escrita de autores indígenas de diversos biomas e gerações.
- Aprender com a Escola Viva: conhecer a metodologia onde o ensino, a vida e a luta pela homologação das terras correm na mesma correnteza.
- Fortalecer laços comunitários: compartilhar o espaço, os cantos, as danças e a alegria indígena como motor de resistência.
- Assumir a responsabilidade: receber sementes e mudas para levar o compromisso com a proteção da biodiversidade para o seu próprio quintal.
Contexto
Boacé Uchô, na língua do povo Puri, significa a “palavra-terra”, a “palavra que pulsa”. Muito antes da imposição de alfabetos externos tentar silenciar as vozes originárias, anciãs e anciãos já liam a sabedoria cravada nas cascas das árvores, nos rastros dos animais e no curso dos rios. A escrita ancestral é o próprio território. O corpo indígena e sua história são palavras vivas. Quando a sociedade não-indígena se recusa a ouvir, ela distorce e transforma essa sabedoria em produto de interesse individual. O chamado do festival é direto: escute a “palavra-terra”; não tente interpretá-la.
A escrita originária nasce das inquietações, do afeto e da recusa ao apagamento, implodindo os velhos registros colonizadores. A memória coletiva não aceita o silêncio das estantes; ela se tece no cotidiano, nos grafismos de urucum e jenipapo, na oralidade e na cerâmica. Quando os povos indígenas ocupam as páginas de um livro ou assumem os microfones, estão demarcando o texto e o chão ao mesmo tempo. A poesia é uma tática de defesa, autoafirmação e cuidado coletivo.
Por que “Ayvu Nhevaitim”?
O nome do Festival Literário realizado pelo Museu das Culturas Indígenas, segundo tradução do Guarani por Carlos Papá, significa “Palavras Semeadoras”. Tem por objetivo trazer elementos com grande poder de influência, que promovam a reflexão, a transformação e o crescimento, agindo como sementes que germinam na consciência e propiciam atitudes e ações em direção à superação e à coletividade, a partir das histórias e memórias de resistência indígena, suas artes e produções artísticas e intelectuais.
Sobre a Virada Sustentável
É o maior festival de sustentabilidade da América Latina e um dos maiores do mundo, reunindo e mobilizando centenas de organizações da sociedade civil, órgãos públicos, empresas, equipamentos culturais e educacionais, artistas e cientistas. Tem como objetivo apresentar a sustentabilidade de forma criativa, atraente e de fácil compreensão, promovendo informação de qualidade e reforçando as redes de transformação nos territórios por onde passa. As atividades abordam a sustentabilidade em suas dimensões ambiental, social, cultural ou econômica. Entre os temas, estão: mudanças climáticas, biodiversidade, consumo consciente, mobilidade urbana, cidadania, inclusão social, energias renováveis, combate ao racismo, redução das desigualdades, saúde e bem-estar, entre outros.
Data: 06/11/2026, sexta-feira
Local: Parque da Água Branca e Museu das Culturas Indígenas
Horário: das 14h às 16h
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
Políticas de entrada
gratuita
MCI - Museu das Culturas Indígenas
6 de novembro
sexta das 14:00 às 16:00
R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo - SP, 05002-062, Brasil
Entrada Gratuita

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