6 de novembro
sexta das 16:00 às 17:00
R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo - SP, 05002-062, Brasil
Entrada Gratuita
FLAN | BOACÉ - A “Palavra-Terra” Exige Escuta: Canto Toré de Abertura, com Cacique Yradzú
ATIVIDADE PRESENCIAL E GRATUITA, COM INSCRIÇÃO POR ORDEM DE CHEGADA, ATÉ O ESGOTAMENTO DAS VAGAS.
Muito antes dos alfabetos externos tentarem calar as vozes dos povos originários, a sabedoria já estava cravada no chão, no curso dos rios e no rastro dos animais. A escrita ancestral é o próprio território e o corpo indígena é palavra viva. É sob essa força que o Museu das Culturas Indígenas (MCI) realiza a abertura da 2ª edição do Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) - Encontro de Vozes Indígenas.
Neste ano, o evento é guiado pelo conceito “Boacé Uchô - A Palavra Está na Terra”. O encontro celebra uma literatura que implode as antigas lógicas colonizadoras. A escrita originária pulsa da recusa ao apagamento: ela se alimenta do afeto, do cotidiano e da memória coletiva. Quando os povos indígenas ocupam as páginas de um livro ou assumem os microfones, fazem muito mais do que relatar histórias. Eles executam a demarcação de texto e de chão ao mesmo tempo, provando que a poesia é tática inegociável de defesa, autoafirmação e cuidado coletivo.
Para erguer esse espaço de acolhimento e semear consciências, o evento inaugural toma forma na voz do Cacique Yradzú, liderança do povo Kariri-Xocó, de Alagoas. Ele conduzirá o público por meio da potência do Toré, prática ritualística que funde música e dança circular para expressar a espiritualidade e a resistência de diversas culturas indígenas nordestinas. No compasso do maracá, que espelha as batidas do coração humano, o som evoca o sagrado e movimenta o mundo inteiro na mão de quem canta.
A oralidade corta o silêncio das estantes e recusa interpretações de fora. Apenas compareça e escute a “palavra-terra”.
Sobre Cacique Yradzú
Da Aldeia Porto Real do Colégio (Alagoas), é representante e liderança da etnia Kariri-Xocó e mestre de cantos e danças. Integra o Grupo Dzu Kariri-Xocó e o Conselho Municipal dos Povos Indígenas de São Paulo (COMPISP). Atua como palestrante; condutor de cerimônias medicinais, curso xamânico, rodas de cura e de vivências de cantos e danças tradicionais; rezador; benzedor; contador de histórias e oficineiro de artes manuais, grafismos e instrumentos musicais de seu povo.
Sobre o Povo Kariri-Xocó
A denominação foi adotada como consequência da mais recente fusão, ocorrida há cerca de 100 anos, entre os Kariri, de Porto Real de Colégio, e parte dos Xocó, da ilha fluvial sergipana de São Pedro, que uniram-se aos Kariri da outra margem do rio quando tiveram suas terras aforadas e invadidas pela política fundiária do Império, com a extinção de suas aldeias. Kariri (ou Kirirí), por outro lado, é um nome recorrente no Nordeste e evoca uma grande nação que teria ocupado boa parte do território dos atuais estados nordestinos, da Bahia ao Maranhão. Os Kariri-Xocó estão localizados na região do baixo São Francisco, no município alagoano de Porto Real do Colégio, em frente à cidade sergipana de Propriá; as duas cidades estão ligadas pela ponte que serve de eixo entre a região Sul e o Nordeste brasileiro, como parte da BR-101.
Sobre o Toré
Trata-se de um ritual cultural e religioso praticado por diversos povos indígenas do Nordeste brasileiro, incluindo, entre outros, os Kariri-Xocó, Pankararé, Pankararu e Xukuru-Kariri, de maneira que cada comunidade tenha suas próprias variações de ritmos, toadas e expressões. É uma dança circular, com cantos e música, e símbolo importante de identidade, tradição e de conexão com a cosmovisão e espiritualidade, envolvendo a invocação de entidades, como os “Encantados”. “To”, significa “som”; e “Ré”, “sagrado”. Para os Kariri-Xocó, povo de cultura musical, o Toré é sua representatividade maior, que expressa acontecimentos históricos e culturais, apresentando em forma de arte os fenômenos naturais do Universo. Na música, a “maraca” é tocada de acordo com as batidas do coração, respeitando e seguindo o ritmo da vida; quem a carrega, tem o “Planeta Terra nas mãos”, simbolizado pelo coité (do termo Tupi “kuya e’tê”, que significa “cuia verdadeira”) – chacoalhar esse instrumento, é o mesmo que movimentar o mundo, trazendo o dia, a noite ou mudar as estações – Primavera, Verão, Outono e Inverno. Nos movimentos circulares da dança, há a representação das órbitas da Lua, da Terra e do Sol, e, também, a aldeia, a maloca, o círculo da vida.
Data: 06/11/2026, sexta-feira
Local: Museu das Culturas Indígenas
Horário: das 16h às 17h
Entrada: gratuita
Classificação: Livre
Informações: (11) 3873-1541
Observações:
Políticas de entrada
gratuita
MCI - Museu das Culturas Indígenas
6 de novembro
sexta das 16:00 às 17:00
R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo - SP, 05002-062, Brasil
Entrada Gratuita

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